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"...Enquanto ensinarmos que o mundo é um lugar a ser evitado, que as mazelas humanas são fruto da ausência de Deus, que Deus não ouve os pecadores, que só a igreja evangélica é que detém os "diretos autorais" da salvação, que ser forte e inabalável é sinônimo de fé e que ser pecador é ser inimigo de Deus então ainda não entendemos o plano da salvação e o evangelho de cristo rebaixado apenas á mais uma religião...."
"Sequencia de vídeos diários com a leitura do Novo Testamento"

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Um dia no Ágape da Ap. Neuza Itioka


Ontem foi o primeiro dos três dias de seminário de batalha espiritual no Ministério Ágape, da Ap. Neuza Itioka. Como cremos na simplicidade e pureza do Evangelho, onde não é preciso citar nominalmente cada demônio, encher a pessoa de óleo, não cruzar braços e pernas e muito menos confessar todos os pecados seus e dos seus antepassados para que os cristãos sejam libertos, fomos estender nossas faixas em frente ao ministério, na esperança de que o Espírito Santo complete a obra de esclarecimento e libertação daquelas vidas, tanto de pastores quanto das ovelhas que buscam o local.
Por volta de 18:45h estendemos a primeira faixa (do outro lado da rua, claro): “Se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres. Jo 8.36″. Acreditem se quiser: a simples menção desse versículo fez com que os pastores e intercessores ficassem saíssem a porta, demonstrando preocupação e nervosismo. Um de nós colocou-se ao lado do ministério, em frente a um comércio, com a intenção de distribuir panfletos aos que chegassem. Dois seguranças, um deles à paisana postou-se à nossa frente, com olhar intimidador e frases e risadas:
- Essa turma vai apanhar muito! Rá rá rá. Eles vão levar um pau!
- Você tá participando dessa palhaçada? (para o dono do comércio, por ele ter permitido nossa presença)
- Agora vai começar o show! (quando começamos a filmar)
Além dos seguranças, alguns pastores ficavam de um lado para o outro, com ar nervoso. Falavam ao telefone, chegavam perto de nós, voltavam, nos encaravam. De repente, uma pastora ou intercessora, sei lá, jogou óleo em nossa direção. Não nos acertou, mas sua intenção talvez fosse nos “espantar” pelo poder do óleo. Aliás, todos que chegavam tinham que ser ungidos na testa e nos ouvidos antes de entrarem no recinto. A explicação para esse ritual é de que, ungindo essas áreas, o fiel teria sua mente “liberta” para receber os ensinos deles, e os ouvidos “destampados” para ouvi-los. Mas aí fica uma dúvida: então não seria correto que todas as igrejas adotassem essa prática, para que os crentes absorvessem melhor as pregações? E em qual passagem bíblica Jesus, ou os apóstolos, ungem partes do corpo com esse intuito, de libertar de demônios?
Por volta de 19:15h chegou mais um pessoal do nosso grupo, e só então estendemos a faixa do “voltemos ao Evangelho puro e simples, o $how tem que parar”. Aos poucos ia aumentando o fluxo de fiéis, e os panfletos passaram a ser mais distribuídos. Um dos pastores falou “chama a polícia”, e coincidência ou não, um tempo depois uma viatura passou lentamente por nós, mas nem parou, só leu as faixas. Isso ocorreu duas vezes. Então começamos a filmar, mas com muita cautela, pois tudo indicava que, pela demonstração de truculência dos seguranças aliada ao expresso nervosismo dos pastores, tínhamos medo de que tomassem nossa câmera, ou fizessem coisa pior. Por isso, pouca coisa foi filmada, mas será disponibilizada em breve, tão logo o Pablo conclua a edição do material.
Se o pessoal do Ágape ficou claramente incomodado com nosso protesto silencioso, a vizinhança demonstrou grande apoio. O comerciante ao lado nos permitiu estarmos lá, sendo inclusive muito gentil (e olha que estávamos lá panfletando, e são poucos os que gostam que panfletem em frente ao seu estabelecimento). Outros vizinhos perguntavam do que se tratava e elogiavam o movimento. Um rapaz com flores ficou indignado quando soube da repressão que estávamos sofrendo: “se tivesse uns cinco bebendo cerveja, fazendo algazarra, ninguém faria nada. Como vocês estão falando da Bíblia, o pessoal fica com raiva”.
Umas 19:30h resolvemos mudar a pessoa que panfletava para o outro lado, em frente a uma residência. Aparentemente, a maioria dos fiéis estava vindo daquela direção. Foi quando foi possível observar com mais nitidez o que ocorria na entrada do Ágape: a pessoa portando o panfleto era levada a entregá-lo nas mãos daquela pastora/intercessora que passava óleo nas pessoas. Assim, provavelmente ninguém teve acesso aos panfletos, que foram devidamente censurados pelo pessoal do Ágape, e devem hoje ter sido o combustível da fogueira santa deles.
Enfim, mesmo sabendo que os panfletos estavam sendo recolhidos, continuamos entregando. Sinceramente, demos graças a Deus, pois mais esse ato demonstrou o caráter reacionário, autoritário, absolutista desse ministério, que se diz de “libertação”. Na verdade, o que fazem é o aprisionamento ao sistema religioso deles.
O site Discernimento Bíblico aponta, num artigo, as características de uma seita. Eu os incentivo a lê-lo integralmente, mas aqui destaco uma das características:
“Pode levar tempo para eles ganharem poder sobre o novo convertido, mas consequentemente acontecerá. Controle é entendido por subjugar e pode cobrir a maioria dos aspectos das vidas dos seguidores: códigos de vestuário, atividades, finanças, tempo, posses e relações. Eles podem ditar ao membro o que ver, o que fazer, qual é a coisa certa para dizer e como dizer. Podem ser experimentados vários graus de controle, de manipulação sutil até a ordenação descarada. Eles esperam obediência rígida dos membros sobre o tempo e atividades – envolvendo seus seguidores fisica e emocionalmente, drenando atividades e deixando pouco tempo para privacidade e reflexão, ou para questionar a sua autoridade. Esperando o momento para mostrar isso quando todos estão juntos, e tudo normalmente é feito em grupos.
O método de controle que é usado normalmente é o MEDO de desagradar a Deus, o líder ou ambos. Medo de rejeição, castigo, perda da salvação, perder o arrebatamento, indo para o inferno. Culpa, temor e intimidação são armas que mantém a lealdade e devoção ao grupo.
Intimidação e acusação são freqüentemente usadas. Por exemplo, qualquer questionamento a autoridade é tratado como rebelião, e não como confiança. Eles suprimem perguntas e as conformam ao comportamento do grupo. Eles desencorajam pensamento crítico ou racional e perguntas que eles responderão com comentários do tipo, “Satanás é a causa de toda a dúvida; ele está escondendo de você a verdade”, ou levará tempo para entender as profundezas de Deus. Pensamento crítico é desencorajado sendo chamado de orgulhoso ou pecador ou rebelde. Nenhum pensamento independente é encorajado.”
Tristemente, essa dominação cega é uma das armas dos ministérios de libertação e cura interior, inclusive do Ágape. Contraditoriamente, Jesus pregava a liberdade, e Paulo nos admoestava a sermos críticos dos ensinos religiosos (ser como os de Beréia). Para a Ap. Neuza Itioka e seus liderados, olhar para seus ensinos com olhar bereano é ser do diabo, e deve ser rechaçado a todo o custo. Vozes bereanas, para esse e outros ministérios, precisam ser caladas a todo o custo, senão vai que as ovelhas passam a ter senso crítico também, e passam a buscar as verdades nas Escrituras, ao invés de confiar cegamente em seu “mentor espiritual”?
Enfim, por volta de 20:20h guardamos nossas faixas. Lá dentro, uma cantoria em volume altíssimo, acho que para libertar todos os quarteirões à volta. Só Deus para libertar de verdade aquela gente.
Em tudo isso, o que me deixou mais feliz é que fomos impedidos de fazer qualquer coisa. Os panfletos, que seriam nossa “arma” por citar alguns desvios doutrinários do Ágape, ao que parece não será lido por ninguém. Assim, se dos que foram ali buscar libertação conseguirem se desvencilhar das grossas amarras do misticismo e superstição gospel, o serão por total ação do Espírito Santo. A Deus, toda a honra e toda a glória para sempre.
Infelizmente, o Show está muito longe de parar. Mas somos persistentes, continuaremos nessa luta por amor a Cristo, mesmo que para isso sejamos ultrajados pelos homens.
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