Destaques

"...Enquanto ensinarmos que o mundo é um lugar a ser evitado, que as mazelas humanas são fruto da ausência de Deus, que Deus não ouve os pecadores, que só a igreja evangélica é que detém os "diretos autorais" da salvação, que ser forte e inabalável é sinônimo de fé e que ser pecador é ser inimigo de Deus então ainda não entendemos o plano da salvação e o evangelho de cristo rebaixado apenas á mais uma religião...."
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segunda-feira, 7 de março de 2016

Porque as pessoas procuram uma religião?


As revelações do evangelho, por Ed René Kivitz, no domingo 23 de Fevereiro de 2014.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

PRA QUEM ESTÁ EM CRISTO

Não há mais lugar santo, dia santo, hora santa, culto santo, púlpito santo, pregação santa.
Nele tudo se converge e Ele faz da vida um culto, portanto, aqui, ali e alem, tudo, em todo lugar o tempo todo, todo tempo é santo ao Senhor.
A mim cabe apenas segui-Lo e servi-Lo servindo aqueles a quem Ele tanto amou que se entregou e a todos reconciliou com o Pai Eterno.
Meu serviço é servindo avisar a todos que o Eterno está reconciliado com toda criação.
É assim que adoro o meu Senhor e por favor, não tentem me convencer do contrário.
Em Cristo não há mais templo santo e qualquer templo, qualquer prédio que por mais suntuoso, majestoso que seja e construído com dimensões extraídas das escrituras, não passa de um prédio como outro qualquer que só tem valor imobiliário.
Em Cristo não há mais utensílios santos.
Em Cristo não há rituais santos.
Em Cristo não há títulos santos.
Em Cristo tudo que indicava pra Ele no passado, hoje nEle tudo está e tudo é e nEle tudo se consumou.
Voltar à velha aliança é reconsturar o véu que Ele mesmo rasgou quando inaugurou a nova aliança na Cruz.
Ou a Cruz valeu pra tudo e pra todos ou não valeu pra nada e pra ninguém.
Prefiro viver livre e responsável, pois, pra isto o Evangelho me convidou e eu aceitei fazer esta jornada de volta pra casa, pra Casa do Pai, pra mim mesmo e para o meu próximo.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Eu não peço sacrifícios, eu peço que você seja humano, e ame

Mq 6:1-16 - Eu não peço sacrifícios, eu peço que você seja humano, e ame! - diz o Senhor.




Porção do Programa Papo de Graça - Caio Fábio - 04/09/2015

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Mensagem: Como ser cristão sem ser religioso

 Como ser cristão sem ser religioso



quinta-feira, 16 de julho de 2015

Nada no Evangelho é sentimento e emoção O Evangelho é Espírito, Verdade e Vida!

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Mensagem: Valorizando os pequenos começos - Ed René Kivitz

Uma mensagem que todo pastor e líder sério, de Deus, deveria ter coragem de pregar em sua comunidade.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Querida Igreja, Saiba Por Que Realmente Estamos Te Deixando…

Desabafo de um jovem que saiu da igreja.

Estar do outro lado do Êxodo é horrível, não é? Eu vejo pânico em seu rosto, igreja.
Eu sei do terror interno que cresce em você à medida em que vê as estatísticas, ouve as histórias e examina as pesquisas de saída.
Eu te vejo desesperadamente se atrapalhando para fazer o controle de danos com os que ficaram, e tentando fabricar paixão com uma fé que só encolhe, e eu quero te ajudar.
Você pode achar que sabe a razão de as pessoas estarem te deixando, mas eu não acho que você saiba.
Você acha que é porque a “cultura” está tão perdida, tão perversa, tão além do limite que está fazendo todos irem embora.
Você acredita que a razão principal dessa evasão é que eles fecharam seus ouvidos para a voz de Deus; buscando dinheiro, sexo e coisas materiais.
Talvez você até ache que os gays, os Muçulmanos, os Ateístas e as estrelas pops esculhambaram tanto a moralidade do mundo que as pessoas estão abandonando a fé aos montes.
Mas estas não são as razões pelas quais as pessoas estão te deixando.
Elas não são o problema, Igreja.
Você é o problema.
Deixe-me elaborar em cinco questões…
1 – Seus cultos se tornaram ralos.
O púlpito ornamentado, as luzes, a equipe de louvor, o novo projetor de vídeo, tudo isso se tornou um ruído para aqueles que realmente estão tentando encontrar Deus. Eles até agradam e distraem por uma hora, mas possuem tão pouca relevância na vida diária das pessoas que elas estão zarpando.
Claro, as músicas são lindas e o programa é ótimo, mas ultimamente o Sábado/Domingo de manhã não está fazendo muita diferença na Terça a tarde ou na quinta a noite, quando as pessoas estão lutando com o desastre, com a bagunça e com as dores adquiridas nas trincheiras da vida; nos lugares onde uma bela doxologia não ajuda.
Nós podemos ser entretidos em qualquer outro lugar, inclusive com mais qualidade. Até que você nos dê algo mais do que uma peça teatral de temática cristã, algo que nos proporcione espaço e fôlego e relacionamentos e diálogos, muitos de nós iremos permanecer aqui fora.
2 – Você está usando uma língua estrangeira.
Igreja, você fala e fala e fala, mas está usando uma língua morta. Você se apega a palavras empoeiradas que não possuem ressonância nos ouvidos das pessoas, sem perceber que apenas falar essas palavras mais alto não é a resposta. Todas as expressões e palavras-chave que funcionavam 20 anos atrás não funcionam mais.
Essa linguagem interna espiritualizada pode te dar certo conforto em um mundo que está mudando, mas este é um pensamento egoísta e apenas mantém as pessoas a uma certa distância. Elas precisam te ouvir em uma linguagem que possam entender. Existe uma mensagem que vale a pena ser compartilhada, mas é difícil ouvir no meio te tanta pirotecnia verbal.
As pessoas não precisam ser deslumbradas com algo grande, palavras igrejeiras, painéis escatológicos e sistemas teológicos complicados. Fale com elas de forma clara e abundante sobre amor, alegria, perdão, morte, paz, Deus, e elas ouvirão. Mantenha o discurso interno e em breve as palavras ecoaram em um prédio vazio.
3 – Sua visão não vai além das paredes.
Os bancos confortáveis, o equipamento de última geração, o novo sistema de ventilação e a ala infantil são top de linha… e caros. Na verdade, a maior parte do seu tempo, dinheiro e energia parece ser atrair as pessoas para onde você está ao invés de alcançá-las onde elas já estão.
Ao invés de simplesmente caminhar na vizinhança ao seu redor e se associar às coisas maravilhosas que já estão acontecendo, e as coisas belas que Deus já está fazendo, você parece satisfeita em anunciar a franquia da sua marca particular de Jesus, e esperar que o mundo pecador bata em sua porta.
Você quer alcançar as pessoas que estão perdidas? Saia do prédio.
4 – Você escolhe batalhas pobres.
Nós sabemos que você gosta de lutar, Igreja. Isso é óbvio.
Quando você quer, você vai pra guerra com artilharia pesada. O problema é que suas batalhas são mal direcionadas. Protesto contra fast-food, reality-show, piada ruim sobre o cristianismo na tv. Tudo isso pode gerar um alvoroço no Facebook e no Twitter do lado de dentro, para os já convencidos, mas são apenas fogo de palha para os que estão aqui fora com sangue nas botas.
Todos os dias vemos um mundo sufocado pela pobreza, racismo, violência, intolerância e ódio; e em face dessas questões, você fica estranhamente, assustadoramente calada. Nós gostaríamos que você fosse mais corajosa nessas batalhas, pois assim, teríamos prazer em ir à guerra com você.
Igreja, nós precisamos que você pare de ser guerrilheira contra o trivial e indiferente quanto ao terrível.
5 – Seu amor não parece amor.
Amor parece ser uma grande questão para você, Igreja, mas não sabemos onde ele vai parar quando a coisa fica mais séria. Na verdade, mais e mais, esse slogan de amor parece incrivelmente seletivo e definitivamente estreito; filtrando toda a gentalha cristã, que infelizmente parece incluir demasiados de nós.
Sinceramente? Parece uma dessas propagandas enganosas com letrinha miúdas no canto baixo da TV. Anunciam uma festa do tipo “Venha como estás”, mas fazem questão de deixar claro que uma vez que tenhamos chegado à porta, não podemos realmente entrar como estamos. Nós vemos um Jesus na Bíblia que andava com a gentalha da sociedade, prostitutas e trapaceiros, e os amava ali mesmo, mas essa não parece ser a sua concepção de amor, não é?
Igreja, você consegue nos amar se não preenchermos todos os requisitos doutrinários e não tivermos nossa teologia toda desvendada ainda?
Você consegue nos amar se xingarmos, bebermos, fazermos tatuagens, ou Deus nos livre, ouvirmos rock? Não acho que consigam.
Você consegue nos amar mesmo que não saibamos ao certo como definir amor, casamento, céu, inferno? Não parece.
Do que sabemos sobre Jesus, acreditamos que ele se pareça com o amor. O grande infortúnio, é que você não se parece muito com Ele.
Essa é uma parte da razão pela qual as pessoas estão te deixando, Igreja.
Estas palavras podem te deixar muito, mas muito zangada, e talvez você revide dando um contragolpe na jugular para se defender, ou talvez ataque estas declarações linha por linha, mas nós gostaríamos muito que você não fizesse isso.
Nós gostaríamos que você se sentasse em silêncio com essas palavras por um tempo, porque quer você acredite que elas estão certas ou erradas, é isso que estamos sentindo, e essa é toda a questão.
Nós somos os que estamos saindo.
Queremos importar para você.
Queremos que você nos ouça antes de debater conosco.
Nos mostre que seu amor e seu Deus são reais.
Igreja, nos dê uma razão pra ficar.
“Não sou eu, é você.” Parece que é isso que você está dizendo, Igreja.
Estou tentando abrir meu coração com você. O meu e o de milhares e milhares de pessoas iguais a mim que estão indo embora. Tudo isso para você saber do dano que você está nos causando e do doloroso legado que está deixando, e aparentemente, o problema não é você.
O que na verdade não deixa de ser um problema.
Eu prostrei minhas frustrações em seu interior, em sua retórica religiosa, e você me respondeu com um corta e cola de passagens aleatórias das Escrituras, insistindo que o problema real é apenas ignorância bíblica, sugerindo que eu só preciso me arrepender e comprar uma Concordância, seja lá o que for isso.
Eu te deixei saber o quão julgado e ridicularizado eu me sinto quando estou com você, o quão desesperado e caído eu me sinto no interior de sua comunidade, e você prossegue me dizendo o quão perdido eu estou, o quão perdidamente apaixonado pelo meu pecado eu devo estar para te deixar, me lembrando, na saída, que eu nunca pertenci a você de qualquer forma.
Em face de qualquer reclamação e mágoa, você deixou claro que o real motivo é que eu sou pecador, imoral, herético, tolo, das trevas, egoísta, consumista ou simplesmente ignorante.
E para falar a verdade, na maioria dos dias eu nem discordo de você nesse aspecto.
Talvez você esteja certa, Igreja.
Talvez eu seja o problema.
Talvez seja eu, mas eu é tudo o que sou capaz de ser neste momento, e é aqui que eu tinha esperanças que você pudesse me encontrar.
É aqui, em meu falho, bagunçado, ferido, chocado, duvidoso, desiludido e ameaçador mundo que eu esperava que você pudesse me encontrar com esse suposto e audacioso amor de Jesus que eu tanto ouvi falar.
Igreja, eu sei o quanto você despreza a palavra Tolerância, mas neste momento, eu realmente preciso que você me tolere, que você tolere aqueles de nós que, por qualquer que seja a razão e que você ache injustificável, estão lutando para ficar.
Estamos tão cansados de nos sentirmos como se fossemos apenas uma agenda religiosa; um argumento a ser ganho; um ponto a deixar claro; uma causa a defender; uma alma pra conquistar.
Nós queremos ser mais do que uma estrela na sua coroa; um número no seu relatório de batismos.
Nós precisamos ser mais do que respostas a apelos, que são aplaudidos no altar, e então esquecidos quando a música acaba.
Estamos orando para que você pare de nos doutrinar, de nos julgar, de nos condenar, de diagnosticar nossos pecados, apenas tempo suficiente para nos ouvir…
… mesmo que nós sejamos o problema.
Mesmo se formos a mulher em adultério, ou o seguidor em dúvida, ou o pródigo rebelde, ou o jovem endemoninhado, pois não conseguimos ser outra coisa neste momento. E é neste momento que precisamos de uma igreja que seja grande o suficiente, firme o suficiente, amorosa o suficiente, não apenas para nós como poderemos vir a ser um dia, mas para nós como somos, agora.
Ainda acreditamos que Deus é grande o suficiente, firme o suficiente, amoroso o suficiente, mesmo que você não seja, e é por isso que mesmo que estejamos te deixando, não significa que estamos abandonando nossa fé; é só que nesse momento, a fé parece mais alcançável em outro lugar.
Eu sei que você vai argumentar que está fazendo todas essas coisas e dizendo todas essas coisas porque você nos ama e se importa conosco, mas do lado de cá, você precisa saber que se parece menos com amor e preocupação e mais com distância e silêncio.
Se alguém está frustrado, dizer a ele que é errado estar frustrado é, bem, muito frustrante.
Apenas gera distância.
Se alguém compartilha que seu coração está ferido, ele não quer ouvir que não tem o direito de estar ferido.
É uma quebra no diálogo.
Se alguém te diz que está faminto por compaixão, relacionamento e autenticidade, a última coisa que ele precisa é ser censurado por estar com fome.
É um chute no traseiro enquanto sai pela porta.
Portanto sim, Igreja, mesmo que você esteja certa, mesmo que estejamos totalmente errados, mesmo que sejamos todos mesquinhos, auto-centrados, hipócritas, críticos, e devo dizer pecadores, nós ainda somos aqueles que estão procurando por um lugar onde possamos pertencer e sermos conhecidos; um lugar onde Deus habite, e só você pode nos mostrar isso.
Mesmo que o problema seja eu, sou eu quem você precisa alcançar, Igreja.
Então, pelo amor de Deus, me alcance!
John Pavlovitz
johnpavlovitz.com
tradução livre: Cristãos Cansado
Postagem Original: http://cristaoscansados.net/querida-igreja/

sábado, 10 de janeiro de 2015

TAMBÉM SOU ATEU



Também sou Ateu

Por Ed Rene Kivitz
Ateu dos deuses que mandam matar. 
Ateu dos deuses que se impõem pela força. 
Ateu dos deuses que não estão abertos ao diálogo, que não conseguem conviver com o diverso, de tão melindrosos não aceitam o contraditório. 
Ateu dos deuses que promovem os intolerância e abençoam os intolerantes. 
Ateu dos deuses que sustentam regimes de segregação. 
Ateu dos deuses que convocam militantes, esses insuportáveis fanáticos patrocinados por divindades que, porque não se sustentam por si, arregimentam soldadinhos sem crítica e auto-crítica. 
Ateu dos deuses senhores da razão, mas sem coração. 
Ateu dos deuses que exigem decapitações. 
Ateus dos deuses cujo maior argumento está na ponta da baioneta, do cano quente da metralhadora, nos pregos retorcidos das bombas caseiras. 
Ateu dos deuses que compram e vendem corpos, almas e consciências humanas.
Ateu dos deuses que se promovem pelo artificio da lavagem cerebral, o controle da informação, a distorção dos fatos, da propaganda enganosa e subliminar, e do patrulhamento truculento. 
Ateu dos deuses que se escondem por trás das disputas geopolíticas, se digladiam pelo petróleo, se vinculam às demandas étnicas, e são sustentados por impérios econômicos. 
Ateu dos deuses que cabem em cartilhas e códigos dogmáticos. 
Ateu dos deuses que se satisfazem com rituais macabros, se embebedam no sangue dos sacrificados, e se alimentam de manjares podres. 
Ateu dos deuses que cobram moedas pelo perdão, penitências pela misericórdia, e flagelos pela graça. 
Ateu dos deuses que sentem prazer no assassinato de inocentes, e se alegram com o suplício dos pobres. 
Ateu dos deuses cujos representantes vivem encastelados e são venerados como semi-deuses. 
Ateu dos deuses que habitam mesquitas, sinagogas e templos. 
Ateu dos deuses que não têm senso de humor, não conseguem rir com os críticos geniais que fazem teologia desenhando cartoons. 
Ateu dos deuses que não se encaixam em realidades como amor, compaixão, solidariedade, generosidade, perdão, justiça e paz. Esses deuses, não creio que existam além da imaginação doentia de gente que precisa de Deus.
© 2015 Ed René Kivitz

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

E se desse a louca na igreja e ela quisesse ser IGREJA?




E SE DESSE A LOUCA NA “igreja” E ELA...

...quisesse ser IGREJA?

O que ela deveria fazer?

1. Crer que o Evangelho não está em disputa com as Religiões do mundo, e nem tampouco pretende ser uma delas.

2. Crer que a obra de evangelização nada é além do viver em fé a revelação do amor e da Graça de Deus em Cristo Jesus, sem nenhuma questão.


3. Crer que toda “missão” com o tempo estraga a Missão Original, pois esta só permanece pura enquanto é fruto do amor que faz sem perceber e sem contar...

4. Crer que ela não é a Juíza do Homens, nem a mantenedora dos bons costumes, mas a propagadora da Palavra que a atingiu como Boa Nova, a saber: que Deus estava em Cristo reconciliando consigo mesmo o mundo, e não imputando aos homens as suas transgressões.


5. Crer que o Espírito Santo é Vivo, Livre e Soberano, e que a Palavra é Viva e Eficaz, sendo, portanto, trabalho do Espírito e da Palavra, convencer os homens do pecado, da justiça e do juízo—não sendo esta, portanto, a tarefa da Igreja.

6. Crer que ela é a comunidade dos que foram chamados nos becos, vielas e antros da Terra—conforme a parábola de Jesus; e isso porque os filhos de Abraão segundo a carne não se acharam dignificados pelo convite—; e, portanto, dela se espera que aceite o convite, que vista-se com as vestes da justiça da fé, e que não questione a presença de ninguém nas Bodas do Cordeiro.


7. Crer que por uma questão de ordem histórica e funcional, a Igreja se mostra como “igreja”, e que é parte do movimento de cura “desta” o buscar ser sempre Aquela.

8. Crer que a única leitura bíblica que não perverte a consciência no caminho da lei, da moral e da religião, é aquela que tem em Jesus a sua Chave Hermenêutica; sendo que depois dessa compreensão em fé há uma única questão a ser levantada pelo povo de Deus ante leitura da Palavra: Como Jesus interpretou essa questão com as ações de Sua própria existência humana? É no espírito dos gestos de Jesus que a Palavra Encarnada se explica e se mostra aos nossos olhos. Ele a interpretou para nós.


9. Crer realmente que o fim da Lei é Cristo para a justiça de todo aquele que crê. Portanto, em Jesus encerrava-se uma Era e iniciava-se o que É. Tudo o que veio antes era sombra. Nele, em Cristo, estão todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento. Nele está todo o saber para a vida.

10. Crer que é impossível renovar para arrependimento quem um dia disse que cria que em Jesus toda a Lei se cumprira; que toda justiça se fez em favor dos homens; que tudo o que houvera antes teve em Cristo seu cumprimento e totalização; mas, mesmo assim, insiste em pregar ao povo um caminho quase-de-Cristo. Sim, a esses que já foram iluminados pela consciência da Graça de Deus em Cristo, e dela caíram, rendendo-se aos legalismos e às doutrinas de homens—é impossível renovar para arrependimento, visto que depois de terem crido que em Jesus Tudo Está Consumado, voltaram atrás, e puseram pesados e falsos jugos de opressão sobre os filhos dos homens. Esses não sabem mais o que é arrependimento e gratidão—esqueceram de quem são!—, visto que trataram a Cruz como quem pisa nela, e a despreza como o Feito Que Fez.


11. Crer que os dons de Deus concedidos aos homens são para serviço, de tal modo que um apóstolo é servo de todos, pois quanto mais se chega perto do Cabeça, mais a mente deve discernir que a única forma de servir a Cristo é fazendo como Ele: esvaziando-se...e se tornando figura humana...reconhecível em sua humanidade...e jamais usurpando nada da Glória da Graça de Deus.

12. Crer que somente se nos tornarmos gente boa de Deus é que teremos qualquer chance de sermos percebidos genuinamente como povo de Deus na Terra; do contrário, seremos sempre apenas parte da Religião Cristã.


13. Crer que Deus não se contamina com a presença de quem quer que seja, e que a Igreja é como uma porta aberta, não é uma Lavanderia e nem um Tribunal. Portanto, que sejam todos bem-vindos ao ajuntamento do povo de Deus.

14. Crer que Deus não está chamando clones para formar a Igreja, mas indivíduos, completamente únicos e singulares; e que todos terão que fazer seu próprio caminho na Graça de Deus; e, portanto, ninguém tem o poder ou o direito de julgar quem quer que seja por ser diferente.


15. Crer que o único Dogma da Fé é o amor, e que tudo o mais, sem amor, é apenas presunção humana e de nada aproveitará aos olhos de Deus, mesmo que a doutrina esteja certa.

16. Crer que a apostasia da igreja não vem em formas, mas em conteúdos. E a grande apostasia nunca será sobretudo comportamental, mas confessional, pois admite-se que todo homem é pecador e erra—pecar não lhe é algo alienígena—; a Palavra de Deus, porém, é perfeita; por isso, falsificá-la, negando a Graça de Deus realizada e consumada em favor de todos os homens, é desvio da fé, e é a Grande Apostasia.


17. Crer que a língua é o pior veneno do homem, e que é pela língua que a “igreja” mais ofende a Deus e ao próximo—com seus juízos, certezas, arrogâncias e delírios—;sendo, portanto, imprescindível que todo e qualquer progresso espiritual seja medido pelo modo como os homens usam a sua própria língua em relação ao próximo.

18. Crer que se desejarmos ser aproveitados como servos no reino de Deus, temos que nos desconverter de todas as nossas práticas, valores, importâncias e dogmas anteriores—visto que o Espírito não tirará pedaço de pano novo para remendar as vestes velhas. Cada geração tem que ouvir a Palavra com os ouvidos do Dia Chamado Hoje, que é Dia de Salvação.


19. Crer que ter a mente de Cristo não é possuir conhecimento técnico da Bíblia, mas sim ser capaz de olhar a vida com o olhar da misericórdia, da justiça e da Graça.

20. Crer que Deus deseja prosperar o Seu povo no corpo, na mente e no espírito, e que o sinal de tal prosperidade é a gratidão, o trabalho honesto, e a devoção integrada à totalidade da vida.

Se começássemos por aqui já veríamos os milagres começarem a acontecer; e haveria paz entre nós mesmos, por mais diferentes que fossemos, pois jamais haveria “forma” alguma que sobrepujasse a força do Conteúdo do Evangelho da Graça, o qual ungiria o ser de todos os irmãos na fé.


Caio


23/01/04 

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Quando destes a um desses pequeninos destes a Mim


domingo, 8 de junho de 2014

Acharam que seria apenas um pedido de esmola



Um vídeo impactante mostrando uma forma diferente de falar do amor de Deus e pregar o evangelho.




 

segunda-feira, 24 de março de 2014

Carência de profetas

Ricardo Gondim

Reconheço: existem diversas pessoas sérias entre os crentes. Admito: mais de sete mil profetas não se dobraram a Baal. Não desprezo o testemunho daqueles que me precederam e honraram a fé. Dados os devidos descontos, impossível não admitir o colapso do que se popularizou como movimento evangélico.

Como calar diante do avanço de vigaristas e charlatões? Quantos vão manter um silêncio obsequioso diante das promessas irresponsáveis de cura, prosperidade financeira, solução de problemas conjugais e sucesso empresarial? Não é possível aguentar três minutos de programa de rádio ou de televisão. Náuseas acontecem  diante da postura arrogante de falsos profetas que oscilam entre camelôs religiosos e doces professores de Bíblia.

Não dá para lidar com a falta de responsabilidade humana de grupos fundamentalistas quando celebram desastres naturais como sinais inequívocos do castigo de Deus sobre o pecado. A lógica do quanto melhor, pior só revela quão egocêntrico e cínico o movimento vem se tornando. Haja estômago para ouvir professores de teologia, forjados em seminários de segunda linha, criticando livros que nunca leram. A maioria dos auto-reconhecidos teólogos evangélicos não conseguem citar duas obras de peso da literatura. Eles discursam na defesa de uma reta doutrina que ainda não completou duzentos anos.

Será que passará impune a intolerância de muitos sacerdotes, que deveriam ser pacientes e benignos? O meigo carpinteiro de Nazaré seria parceiro de abutres prontos para estraçalhar quem tropeçou na vida?

O movimento evangélico corre o risco de se tornar refúgio para incompetentes. Líderes, que jamais conseguiriam sobreviver no mundo empresarial, se ocupam em tornar culpa uma fonte de lucro. Preguiçosos e despreparados, adoram praticar tiro ao alvo, desferindo setas nos já abatido pela vida. Os piores tentam mimetizar comportamentos moralistas do mundo anglo-saxão. Eles copiam as afirmações dos ortodoxos que se pretendem eleitos de Deus e se vendem como especialistas em cerimonialismos e tradições, como se Deus dependesse delas.

Também, não dá para lidar com tanto ufanismo. Falsos Aquiles perambulam pelos corredores eclesiásticos como exemplos de imunidade. Sobram narcisistas na corrida pelos primeiros lugares no Olimpo dos ungidos. Empreitada, projeto ou campanha, que pretende mudar o mundo, não passa de estratégia surrada de movimentar dinheiro. Falsos heróis instumentalizam o povo em nome para viabilizar megalomanias – usam e abusam da boa-fé de quem deseja fazer alguma coisa pela humanidade. A burocracia eclesiástica dilui todo recurso doado. Fortunas acabam sugadas na volúpia do poder. O dízimo suado dos crentes, investido em mais propaganda, só serve para alardear ao mundo como aquele evangelista é especial.

A repetição enfadonha dos chavões enerva. Cansam as frases prontas e os conceitos batidos,  já desprovidos de sentido ou valor. A grande maioria dos púlpitos evangélicos se repete nuua mesmice horrorosa. O culto des-educa. A convivência no ar viciado de quem só visa repetir o que já foi dito, é estupidificante. Os hinos reciclam poesias gastas; os sermões começam e terminam com a promessa de bênção.

Há anos escrevi que andava cansado com o meio evangélico. Na verdade, não estava assim tão cansado, eu procurava denunciar o desgaste de tanta bobagem em nome de Jesus. Depois, para revelar a descida ladeira abaixo do movimento, pedi para não ser classificado como evangélico. Não resta muito o que dizer. Talvez precise insistir em bater na mesma tecla. E repetir: não dá, não dá, não dá. Carecemos de mais profetas.

Soli Deo Gloria

sábado, 25 de janeiro de 2014

O que é porta estreita?

Nesse vídeo Caio Fábio usa uma pegadinha para exemplificar e explicar o real significado de porta estreita e porta larga descritos na bíblia.

Muito bom.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Os poderosos da religião e a simplicidade do evangelho

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Sobre cultos manipuladores - Caio Fábio

sábado, 12 de outubro de 2013

DESIGREJADO, EU?

DESIGREJADO, EU?

AINDA ME CONSIDERAM UM “DESIGREJADO”

Isto porque participo de um "movimento" a mais de 7 anos ( desde 21 de Maio de 2006 ) que agrega e congrega pessoas de maneira informal, sem vínculos institucionais, leve, simples, com mínimo de estrutura e baixo custo, tendo o Evangelho como tema único e o amor e a amizade como lubrificantes entre nós.

O “movimento” que me refiro é o Caminho da Graça, um movimento em movimento que se identifica com o Evangelho de Jesus de Nazaré e com todos os que com este mesmo Evangelho se identificam.

AINDA ME CONSIDERAM UM “DISSIDENTE”.

Por não me submeter a nenhuma ordem religiosa oficial reconhecida, embora, não tenha sido oficialmente excluído da instituição religiosa a qual pertenci, mas, fui dela liberado pra seguir meu caminho, sim, este caminho que tenho feito.

AINDA ME CONSIDERAM UM IRRESPONSÁVEL NO CUIDADO PASTORAL, pois, exerço meus dons fora dos contextos e ambientes religiosos normais e por insistir em cuidar de pessoas por todas as vias, incluindo esta aqui, o FB e as outras redes sociais.

AINDA ME QUESTIONAM SOBRE QUEM ESTÁ SOBRE MIM E OS QUE CAMINHAM COMIGO, pois, entendem que isto me descaracteriza como Igreja por não estar debaixo de uma “cobertura espiritual”, embora, creio estar debaixo da cobertura da Trindade, Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo e dos que mutuamente se edificam uns aos outros em Cristo, o Senhor e Cabeça da Igreja.

AINDA ME QUESTIONAM POR NÃO TER UM ORGANOGRAMA E UMA AGENDA MINISTERIAL e interpretam isto como um grupo que não serve o próximo, por não estar organizado formalmente. Dizem que não encorajo a comunidade a ser missional, embora, muitos dos que caminham comigo estejam engajados em várias iniciativas de serviço por conta do encorajamento que faço constantemente pra que todos sirvam a partir de onde estão até os confins da terra.

AINDA ME QUESTIONAM SOBRE A HORIZONTALIDADE que insisto em encorajar, não criando hierarquias, embora, reconheço que há hierarquias naturais entre nós e que estas são respeitadas e exercidas com responsabilidade e graça.

Bem,

RESPONDO a estes questionamentos em amor afirmando meu compromisso com e só com o Evangelho de Jesus de Nazaré e com amigos irmãos e irmãos amigos com os quais caminho no chão da vida e não apenas nos ambientes, dias, e horários tidos como sagrados por alguns.

RESPONDO servindo aos que me buscam e em os ouvindo, busco lançar a Luz do Evangelho sobre o que ouço, na certeza que eu e estes expostos ao Evangelho, certamente, nos tornaremos seres humanos melhores.

RESPONDO expondo o Evangelho e me expondo ao Evangelho junto com os que caminham comigo por todas as vias, certo que só o Evangelho pode nos tornar melhores pra nós mesmos e para o outro.

RESPONDO me submetendo aos que no chão da vida reconheço como meus mentores espirituais que me ensinam, confrontam, corrigem, aparam arestas e caminham comigo em amor e amizade.

RESPONDO sendo livre, leve, responsável, me pondo de pé todos os dias, carregando minha própria “cama”, um passo de cada vez, voltando pra casa do Pai, amando, orando, perdoando, trabalhando, repartindo, fazendo o bem, bem feito, até o fim, com minha consciência cativa a Cristo, meu Senhor.

RESPONDO levanto em conta a encarnação de Jesus de Nazaré que me faz resignificar a vida todos os dias.

RESPONDO levando em conta a crucificação de Jesus de Nazaré que me identifica com a morte e as tantas mortes que preciso fazer acontecer em mim pra ser quem devo ser todos os dias.

RESPONDO levando em conta a ressurreição que me ensina a recomeçar todos os dias, pois, a ressurreição propõe a todos a possibilidade de recomeços, tantos quantos forem necessários.

RESPONDO cuidando de alguns e me deixando cuidar por alguns.

Sou pastor de quem me tem como pastor, pois, não acredito em pastoreio que seja imposto ao outro.

Sou ovelha daqueles que sei que me pastoreiam sendo instrumentos do Supremo Pastor em minha vida.

Sou Igreja de Jesus de Nazaré com alguns com os quais encontro aqui, ali e alem e com todos que se identificam com o Evangelho de Jesus de Nazaré no universo.

Com carinho,

Carlos Bregantim

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Música: Eles precisam saber - Banda Resgate

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Stephen Fry: Por que a Igreja Católica não é uma Força para o Bem

sábado, 4 de maio de 2013

Milagre, um bom negócio


Ricardo Gondim
Casas Bahia e Magazine Luiza disputam o mesmo mercado. As duas lojas se engalfinham para abocanhar o filão dos eletrodomésticos, guarda-roupas de madeira aglomerada e camas de esponja fina. Buscam conquistar assalariados, serralheiros, aposentados e garis. Nos comerciais da televisão, o preço da geladeira aparece em caracteres pequenos, enquanto o valor da prestação explode gigante na tela. A patuleia calcula. Não importa o número de meses, se couber no orçamento, uma das duas, Bahia ou Luiza, fecha o negócio – com um juro embutido entre os maiores do mundo.
Toda noite, entre oito e dez horas, a mesma cantilena se repete nos programas evangélicos na televisão. Pelo menos quatro “ministérios” disputam outro mercado: o religioso. Caçam clientes que sustentem, em ordem de prioridade, empreendimentos expansionistas, ilusões messiânicas e o estilo de vida nababesco de seus líderes. Assim, cada programa oferece milagre. Cada um alicerça a promessa de que Deus vai prosperar, amenizar problemas matrimoniais, resolver causas na justiça com testemunho. Entrevistam gente que jura ter sido brindada pelo divino. Não faltam documentos, exames médicos, carros luxuosos. Deus teria usado aquele apóstolo, bispo, missionário, para abençoar inúmeras pessoas para uma vida sem sufoco.
Infelizmente, o preço do produto religioso – o milagre – também não é explicitado. Alardeia-se apenas a espetacular maravilha. As letrinhas, que não aparecem na parte de baixo do vídeo, caso fossem reguladas pelo conselho nacional de propaganda, teriam que deixar claro, por mais “ungido” que for o missionário, que em nenhuma dessas igrejas televisivas o milagre é gratuito ou instantâneo.
Um monte de exigência vem embutida na promessa de bênção: ser constante nos cultos por várias semanas, contribuir financeiramente para que a obra de Deus continue e, ainda, manter-se corretíssimo. Um deslize mínimo, um pecadilho qualquer, impede o Todo Poderoso de concretizar a maravilha. E ainda tem a falta de fé como critério inegociável. Qualquer dúvida é considerada um obstáculo, que mata a possibilidade do milagre.
Considerando que a rádio também divulga prodígios a granel, como um cliente religioso pode optar? Deus apontou o dedo para qual igreja, missionário, apóstolo, pastor ou evangelista? Quem foi “ungido” representante do divino para o privilégio de “operar” esse sem-número de milagres? Um pai que sofre com uma filha com leucemia aguda, não pode se dar ao luxo de errar. Se apela para uma igreja com pouco poder sobrenatural, perde a filha. O seguro seria ele frequentar todas. Mas como? Ele é pobre e não tem como fazer todas as campanhas que produzem o extraordinário.
O  acesso ao milagre se complica ainda mais porque essa igrejas-empresas gastam milhões para veicular na mídia um valor simbólico: exceção. Sim, no milagre ofertado pelos televangelistas está a expectativa egocêntrica de que o Todo Poderoso distinguirá apenas um punhado entre todos os outros sete bilhões de habitantes do planeta. “Deus abrirá uma brecha na ordem da vida para privilegiar você”. “Outros podem padecer nos corredores sujos de ambulatórios médicos, mas você que veio aqui na igreja X, não precisará passar por tanta humilhação”.
Lojas de eletrodoméstico vendem eletrodoméstico, óbvio. Igrejas evangélicas comercializam a esperança. Elas fortalecem a ideia de que existem agenciadores do favor divino. Alguns com exclusividade. Pelo serviço cobram caro, muito caro.Afinal de contas, um produto celestial não pode ser negociado como bem de quarta categoria. Os televangelistas só oferecem “Brastemps” vindas do céu.
Mas, a dúvida persiste: qual o melhor balcão de serviços religiosos? Que varejista está mais aparelhado para distribuir os favores divinos? Os vendilhões do templo de hoje não se comparam aos do tempo de Jesus. Eles se escolaram no marketing. Especializaram-se em conforto. Valem-se da linguagem piedosa que confunde fé com credulidade. Se as grandes redes comerciais devem se conformar ao Código do Consumidor, as igrejas hábeis em produzir milagre não passam por nenhuma regulamentação. Se algo der errado, o cliente nunca tem razão. Se a leucemia matar a filha, o pai, além de enlutado, acabará responsabilizado pela perda. Terá de escutar que a menina não foi curada porque o diabo entrou por alguma “brecha” e matou. Ou que alguém da família não “perseverou na fé” ou “não honrou a Deus com o dízimo”.
Assim como na música do Chico Buarque os frequentadores dessas igrejas-caça-níqueis encarnam o Pedro Pedreiro e ficam “esperando, esperando, esperando.
 Esperando o sol, esperando o trem.
 Esperando aumento para o mês que vem.
 Esperando um filho prá esperar também”.
Mercadologicamente, Casas Bahia e Magazine Luiza se comportam com critérios éticos bem à frente de algumas igrejas. Melhor assim, geladeira nova é bem mais útil do que a ilusão do milagre.
Soli Deo Gloria

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Reflexões sobre o forte crescimento evangélico

Por Ricardo Gondim
Não haverá missas, nem altares, nem sacerdotes, que as digam: morrerão os católicos sem confissão, nem sacramentos: pregar-se-ão heresias nestes mesmos púlpitos, e em lugar de S. Jerônimo, e Santo Agostinho, ouvir-se-ão e alegrar-se-ão neles os infames nomes de Calvino e Lutero, beberão a falsa doutrina os inocentes que ficarem, relíquias do Portugueses: e chegaremos a estado, que se perguntarem aos filhos e netos dos que aqui estão: Menino, de que seita sois? Um responderá, eu sou calvinista; outro, eu sou luterano. Pois, isto se há de sofrer, Deus meu?”
Padre Antônio Vieira, preocupado com o avanço holandês e a aparente apatia portuguesa para com o Brasil, pregou um sermão bombástico em 1640. Deu-lhe um título não menos agressivo: Sermão Pelo Bom Sucesso Das Armas De Portugal contra as da Holanda.
Ele temia naquelas priscas eras que o “pérfido calvinista” se multiplicasse na colônia lusitana de sua majestade. O sermão de Vieira, inclui uma oração a Deus. Temendo que os holandeses calvinistas se identificassem com o povo, excluindo os católicos, rezou assim:
Que dirá o tapuia bárbaro sem conhecimento de Deus? Que dirá o índio inconstante, a quem falta a pia afeição de nossa fé? Que dirá o etíope boçal, que apenas foi molhado com a água do batismo sem mais doutrina? Não há dúvida, que todos estes, como não têm capacidade para sondar o profundo de vossos juízos, beberão o erro pelos olhos. Dirão, pelos efeitos que vêem, que a nossa fé é falsa, e a dos Holandeses a verdadeira, e crerão que são mais cristãos sendo como eles. A seita do herege torpe e brutal, concorda mais com a brutalidade do bárbaro: a largueza e soltura da vida, que foi a origem e o fomento da heresia, casa-se mais com os costumes depravados e corrupção do gentilismo…
O catastrofismo medieval de Vieira sobre os altares católicos não se cumpriram.Milícias protestantes não anularam o catolicismo romano. Ainda não se deixou de celebrar o natal com presépios. Nenhum católico precisa morrer sem acesso à confissão. Entretanto, o crescimento protestante – por meio do segmento pentecostal – ganhou velocidade, como ele bem previu e temeu. As igrejas se multiplicam nas periferias das grandes cidades, os templos estão lotados. A agressividade proselitista do movimento parece longe de arrefecer. Com  a pentecostalização das igrejas denominacionais históricas – Luteranas, Presbiterianas, Anglicanas, Metodistas, Congregacionais, etc.  – o protestantismo de viés reformado também cresce. A presença evangélica se tornou tão evidente que os intelectuais dissertam sobre ela nas universidades; faz a pauta de jornais e revistas; e incomoda a cúria do Vaticano.
O movimento evangélico não se multiplica isento de problemas e dificuldades.Onde há pessoas, há idiossincrasias e virtudes, beleza e vício. Por estarem situados historicamente no tempo e na cultura, os evangélicos copiam acertos e erros da época. Daí ser mister que no frenesi do crescimento, vozes se levantem para alertá-los de que, embora numerosos, nunca devem pretender dominar o Brasil, como no pesadelo de Vieira.
A idéia de que o movimento tem a obrigação de converter o Brasil é tão anacrônica como a fala de Vieira. É perigosíssimo acreditar que repousa sobre os ombros do movimento o dever de suprimir expressões não evangélicas da cultura. Esse discurso não é mera coreografia religiosa e não impressiona apenas na liturgia interna. Não só empolga o coral. Caso tal pretensão realmente for levada a sério, o movimento vai descambar (se já não descambou) para um fanatismo reacionário e intolerante.
É preciso também contar com a ameaça do capitalismo. Os evangélicos – bem como a própria igreja católica – convivem com uma cultura fortemente influenciada por uma economia neoliberal. Talvez seja essa a tentação maior da igreja: conformar-se a continuar como mera empresa, gerida por técnicas administrativas. Em uma cultura de eficiência e sucesso, a religião sofre pressão do pragmatismo. E a piedade, instrumentalizada para satisfazer ambições pessoais, desemboca no individualismo. Qualquer expressão religiosa que pretenda manter-se íntegra, deve cuidar para não cair na tentação de adorar o deus ex machina - uma potência que reage a botões.
Visito ocasionalmente igrejas evangélicas do hemisfério norte. Fico impressionado com a nova postura dos pastores. Muitos assumiram o papel de executivos da fé. Os gabinetes pastorais se assemelham a escritórios de grandes multinacionais. Pastores se cercam de assessores e gastam mais tempo com reuniões de planejamento estratégico. O departamento de marketing fica no topo do organograma. Palestrantes ensinam como lubrificar a engrenagem administrativa da comunidade de fé. Uma gama enorme de especialistas em crescimento de igreja conduz seminários sobre como (eles adoram um “como”) tornar o louvor adequado ao auditório. Ensinam como orações precisam ser curtas para não aborrecer e como as músicas, mais palatáveis a ouvidos sensíveis. Para tais empresários da fé, se as igrejas providenciam bons estacionamentos, cadeiras confortáveis, ar condicionado, berçário para os recém-nascidos e uma excelente lanchonete, conseguem lotar os santuários e aumentar a arrecadação mensal.
Por mais bem intencionados que estejam, parecem menos interessados em lidar com valores espirituais do que gerenciais. Muitos perderam a noção de que o objetivo do Nazareno nunca foi lotar auditório, apenas inspirar corações a amar a Deus na relação com o próximo.
Cópia aculturada desse empreendedorismo gringo, o movimento evangélico se especializa para tornar-se maioria – em muitas cidades brasileiras já existem mais evangélicos por domingo nos cultos do que católicos nas missas. Acontece que em alguma esquina do tempo a ameaça do pragmatismo espreita.
A pergunta que se faz no mundo moderno é: funciona? E essa parece ser a maior preocupação do movimento. Na cultura grega, o conhecimento bastava; compreender parecia suficiente. Entre semitas o conhecimento visava produzir reverência. A cultura ocidental, que influencia o movimento, quer transformar conhecimento em técnica. Fundamentalistas já acusaram – injustamente – pentecostais de valorizarem as emoções acima da verdade.  Hoje vale questionar se o neopentecostalismo não hierarquiza o útil acima da verdade; e se não cria uma nova cultura de eficiência como manifestação da fé.
Evangélicos crescerem não deve impressionar. No descompasso da espiritualidade e técnica, propõem temas moralistas enquanto carecem de ética; têm esperança com grandes buracos em maturidade humana; expressam fé com carência de ternura; revelam coragem com pouca discrição e humildade; possuem poder de mobilização, mas são rasos na teologia.
Uma resposta possível diante do medo do Padre Antônio Vieira é que o protestante brasileiro virou evangélico; e cresce a despeito dele mesmo. Fica a esperança de que a graça de Deus se revele nesses tempos dificultosos e que um remanescente talvez com outro nome sobreviva à loucura que acompanha a vitalidade do movimento. Vieira também notou o pecado de seus pares no Brasil católico provinciano e mesquinho do século XVII.  Rezou assim:
“..E como sois igualmente justo e misericordioso, que não podeis deixar de castigar, sendo os pecados do Brasil tantos e tão grandes. Confesso, Deus meu, que assim é, e todos confessamos que somos grandíssimos pecadores. Mas tão longe estou de me aquietar com esta resposta, que antes esses mesmos pecados, muitos e grandes, são um novo e poderoso motivo dado por Vós mesmo para mais nos convencer de vossa bondade.
A nós só resta dizer Amém.
Soli Deo Gloria