Destaques

"...Enquanto ensinarmos que o mundo é um lugar a ser evitado, que as mazelas humanas são fruto da ausência de Deus, que Deus não ouve os pecadores, que só a igreja evangélica é que detém os "diretos autorais" da salvação, que ser forte e inabalável é sinônimo de fé e que ser pecador é ser inimigo de Deus então ainda não entendemos o plano da salvação e o evangelho de cristo rebaixado apenas á mais uma religião...."
"Sequencia de vídeos diários com a leitura do Novo Testamento"

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Eu não tenho mais ministério, agora eu tenho Deus

Entrevista com Brother Simion

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Padre visita os pontos de maior consumo de crack no Rio



O padre italiano Renato Chiera, de 75 anos, seguiu o caminho das pedras e encontrou o inferno. Com 50 anos de sacerdócio, completados neste domingo, o religioso faz uma radiografia das cracolândias no Rio, a pior coisa que viu em 31 anos atuando nas ruas. Fundador da Casa do Menor São Miguel Arcanjo, dedicada a menores infratores, ele foi um dos primeiros a entrar no submundo do crack para resgatar viciados e oferecer alternativas.

— A cracolândia parece um leprosário. Diria que é um cemitério de vivos que se consolam como podem, usando crack, esperando a morte — diz o religioso, que visita os pontos de consumo da droga uma vez por semana.



O padre possui uma espécie de salvo-conduto nos territórios de maior consumo, como as cracolândias de Manguinhos, Bandeira Dois, Maré e Jacarezinho. É respeitado. Muitos o abraçam e pedem a bênção. A boa recepção decorre de um dom: ouvir as dramáticas histórias dos usuários da droga sem recriminá-los. Ao padre é permitido filmar e fotografar lá dentro. Muitos falam sobre o que os levaram a cair no vício.

— Descrever a cracolândia é muito difícil. É preciso ver, sentir o cheiro, abraçar, olhar nos olhos. Eles (os viciados) me dizem: "Padre, estamos aqui porque aqui somos todos iguais. Ninguém quer a gente. Aqui um aceita o outro". A cracolândia é a foto de uma humanidade totalmente degradada, que prega o hedonismo, o poder. O resultado é este aí.
O relato de um viciado o levou a entrar pela primeira primeira vez numa cracolândia.

— Um rapaz que eu tinha acolhido me falou: "Padre, quero te mostrar uma coisa". Quando entrei na cracolândia de Manguinhos, fiquei espantado. Estava acostumado à rua, com crianças e adolescentes. Mas havia ali um povo de todas as idades. Todos debruçados sobre uma pedra. Aliás, sobre um copo, no qual eles quebram uma pedra, que faz crack, crack —conta.
O religioso critica o uso de repressão nas cracolândias:
— Não se pode agir com violência. Não funciona. Eles são pessoas já violentadas a vida inteira. Não têm medo de morrer.
Ele desenvolveu uma relação de confiança nas cracolândias.
— Não vamos lá para recolhê-los. Lixo é que se recolhe. Vamos lá para amar. E são muitos os que estão pedindo para sair conosco. Coloco uma roupa que me identifica como padre, uma vestimenta um pouco africana, e crio uma relação de simpatia, dizendo: "Olha, a gente vem aqui não para julgar, mas para escutar".

‘Não vamos lá para reconhecê-los. Lixo é que se recolhe. Vamos lá amar. Eu abraço muito’
- RENATO CHIERAPadre
DO PIEMONTE PARA NOVA IGUAÇU
Nascido em Villanova Mondovi, comunidade na região do Piemonte, Itália, Renato estava com quase 40 anos e a vida estabilizada como professor de filosofia quando decidiu pelo trabalho missionário no Brasil. Foi enviado a uma região marcada pela violência: Miguel Couto, na periferia de Nova Iguaçu.
Atuava de forma tradicional, celebrando missas. Uma noite, ao chegar à casa paroquial, deu de cara com um jovem. Pensou que seria um assalto.
— Ele (o jovem) me falou: "Sou eu, o Pirata. A polícia está atrás de mim, me deu um tiro". O pescoço já estava sangrando. Uma bala o pegou de raspão.
O menor, acusado de cometer roubos na região, optou por uma nova vida. Começou a estudar e a trabalhar, com apoio do padre. Algum tempo depois, ao retornar para casa, o religioso soube que o menor havia sido assassinado.

— Pirata estava na mureta me esperando. Passou um carro, com quatro indivíduos. Quiseram levá-lo. Como era forte, tentou resistir. Deram tiro e o mataram. Eu vi o sangue no chão. Isso mexeu comigo — conta.
O crime fez o próprio padre se questionar sobre a relevância de seu trabalho. Perguntava-se se havia vindo ao Brasil para ser "padre-coveiro". Decidiu ajudar as pessoas a viver.
Outros jovens, ameaçados por grupos de extermínio, passaram a procurar o sacerdote. A sua casa já estava cheia, quando um grupo sugeriu batizar a instituição que estava nascendo.

— Eles me disseram: "Queremos que seja Casa do Menor, porque não temos casa" — relata.
Em 30 anos, a Casa do Menor São Miguel Arcanjo cresceu. Com sede em Miguel Couto, possui filiais em Tinguá, Guaratiba, Rosa dos Ventos, Vila Claudia, Shangri-lá, todas no Rio, além de unidades em Santana de Ipanema (Alagoas) e Pacatuba (Ceará). Já foram oferecidos cursos profissionalizantes a 60 mil jovens e acolhidos 10 mil nas casas. Muitos ex-moradores de rua são hoje educadores no projeto.
O padre não se arrepende de ter deixado a vida confortável na Itália pela missão:

— Agradeço muito. Deus me pegou pelos cabelos, por isso não os tenho mais, e me trouxe ao Brasil. Me trouxe às periferias. Gosto quando me chamam de padre de rua, padre da cracolândia, padre das periferias.

AMOR COMO RECOMPENSA
Os momentos mais emocionantes em sua vida ocorreram nas áreas mais carentes. Um exemplo que gosta de contar ocorreu na única noite em que decidiu passar na cracolândia de Manguinhos. Os viciados se preocuparam em deixá-lo confortável.

— De manhã, quando me preparava para sair, um deles me chamou: "Aqui está o seu café". Ele me trouxe uma Coca-Cola com dois sanduíches. Custou R$ 15, o bastante para comprar três pedras de crack. Nunca me senti tão amado. Nem pelas igrejas, nem pela minha comunidade católica. Quando você ama uma pessoa, ela te devolve o amor.


Postagem original: https://oglobo.globo.com/rio/padre-visita-os-pontos-de-maior-consumo-de-crack-no-rio-21546171

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Mensagem: Deus Amigo

Linda mensagem.
"Não vos chamo mais de servos mas de amigos"

A mensagem inicia aos 37:15

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Marcha para Jesus foge da polarização entre esquerda e direita

70% dos evangélicos entrevistados concordaram que a escola deve ensinar a "respeitar os gays"


Ao menos dois milhões de evangélicos participaram, em São Paulo, da Marcha para Jesus na última quinta-feira 17. Celebrada em meio ao feriado religioso de Corpus Christi e convocada pela Igreja Renascer em Cristo, o evento foi alvo de uma pesquisa inédita sobre as opiniões e o perfil dos participantes feita por pesquisadores da USP e da Unifesp.
Ao todo, foram realizadas 484 entrevistas com participantes maiores de 16 anos durante toda a extensão da marcha, com margem de erro de 5%. Ainda que, de forma geral, o público da Marcha para Jesus expresse valores conservadores sobre temas como a maioridade penal, por exemplo, as respostas não foram muito diferentes das encontradas na população brasileira em geral.
Além disso, em um resultado considerado surpreendente pelos autores da pesquisa, observou-se uma maior contemporização sobre diversidade sexual e sobre os direitos da mulher do que seria o esperado quando só se considera o comportamento da chamada bancada religiosa no Congresso.
Questionados sobre se as escolas deveriam ensinar “a respeitar os gays”, 70% dos participantes da Marcha para Jesus concordaram. Trata-se de uma constatação que vai na direção oposta dos parlamentares evangélicos que defendem o fim do ensino de gênero e da diversidade sexual nas escolas.
Por outro lado, 75% acreditam que os valores religiosos deveriam orientar a legislação e 65% acreditam que a defesa dos direitos humanos atrapalha o combate ao crime.

Sobre os direitos da mulher, 70,5% consideram ofensivo cantar uma mulher na rua e 63,8% concorda com a afirmação de que “não se deve condenar uma mulher que transe com muitas pessoas”.
A frase “o lugar da mulher é em casa cuidando da família” - um valor expresso recentemente tanto pelo presidente Michel Temer quanto por ministros próximos - também não fez sucesso entre os participantes da pesquisa: 90,7% discordam dessa visão.

“Vimos que pautas muito importantes para a bancada evangélica não tinham a adesão que se imaginava”, explica a cientista social e pesquisadora da Unifesp Esther Solano, que destaca a rejeição de 33% dos entrevistados à afirmação de que “a união de pessoas do mesmo sexo não constitui família”, um dos pilares do chamado Estatuto da Família.
A pesquisa mostrou, por outro lado, uma resistência às pautas feministas "clássicas", como o direito ao aborto - 61% concordam que "fazer aborto é sempre errado", ante 33,9% que discordam. 
O estudo também procurou captar opiniões sobre questões raciais. Para 63% a polícia é mais violenta com os negros do que com os brancos (29% discordam). Sobre a questão das cotas afirmativas no Ensino Superior, 41% concordam que as cotas raciais são uma boa maneira de fazer com que os negros entrem na universidade, ante 50% de discordância.

"O povo está na Marcha"
O perfil demográfico dos dois milhões de participantes da Marcha também se aproximou mais do brasileiro médio do que os setores que se expressaram nas marchas verde-amarelas e vermelhas que saíram às ruas com o acirramento da polarização política no Brasil. 
Entre os entrevistados de fé evangélica, 57,3% declararam-se pretos ou pardos, 75% ganhavam entre dois e cinco salários mínimos e 55% completaram apenas o Ensino Médio. A pesquisa também identificou com qual igreja ou denominação evangélica o participante da marcha se identifica. Os fiéis da Renascer em Cristo, organizadora da marcha, são 60%. Em seguida, o grupo mais numero é o da Assembleia de Deus (11%), Batista (4%) e Universal (2,7%). 
“O povo está aqui e não nas manifestações ‘verde-amarelas’ ou ‘vermelhas’”, constata Solano, que identifica ambos os grupos como mais próximos de uma elite intelectual do que da média dos brasileiros. 
As discussões políticas recorrentes nas bolhas ideológicas à esquerda e à direita também passaram longe da marcha. Embora houvesse falas políticas da parte dos organizadores e de manifestantes que estavam nos carros de som, além do silêncio e da preferência aos louvores, foi o descrédito na política que deu o tom da base: 76,9% disseram não se identificar com nenhum partido e 66,5% responderam não se identificar nem com o espectro da esquerda e nem com o da direita.
Outro resultado foi a baixa confiança nos políticos identificados como evangélicos.
Perguntados sobre o grau de confiança em figuras como o pastor-deputado Marco Feliciano, o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, e a também evangélica Marina Silva, 54%, 53% e 57% disseram “não confiar” nesta pessoa, respectivamente. O deputado ultraconservador Jair Bolsonaro, que também é evangélico, não tem a confiança de 57% dos entrevistados. Já o ex-presidente Lula carrega uma rejeição ainda mais alta: não é confiável para 83,7% dos participantes da pesquisa.
Em outro embate entre a base e a bancada evangélica no Congresso, a esmagadora maioria (90,1%) dos evangélicos da Marcha para Jesus não concordam com a afirmação de que “em um momento de crise o governo precisa cortar gastos inclusive em saúde e educação” - uma alusão à Emenda 95, que estabeleceu um teto de gastos nessas áreas por 20 anos.
Já 86,6% dos entrevistados concorda com a afirmação de que “quem começa a trabalhar cedo deve poder se aposentar cedo sem limite mínimo de idade”, como prevê a proposta de Reforma da Previdência defendida pela base governista de Michel Temer e que mudaria as regras de aposentadoria.
Além de Solano, coordenaram a pesquisa Marcio Moretto Ribeiro (USP) e Pablo Ortellado (USP). O apoio foi da Fundação Friedrich Ebert Brasil.

postagem original: https://www.cartacapital.com.br/politica/marcha-para-jesus-foge-da-polarizacao-entre-esquerda-e-direita

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

A bíblia não é uma série de histórias desconectadas

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Breve guia de sobrevivência religiosa

Por Ricardo Gondim
Suspeite de quem consegue exibir ares de piedade. Quanto mais afetada uma espiritualidade, maiores chances de ser falsa. Alguns aprendem a arquear as sobrancelhas para baixo como jeito de expressar elevada pureza; esses são perigosíssimos. Prefira os mais soltos, os menos requintados, os pouco cientes de suas virtudes. Gente desarmada é melhor companhia que circunspectos sisudos; eles se arrastam pela vida com chumbo nos pés, e puxam para baixo todos os que se aproximam deles.
Evite sentar na roda de quem exige exatidão semântica até na hora da conversa fiada. Nada mais intolerável do que conviver com quem adora corrigir as virgulas. Se alguém diz, vou à igreja, ele dispara: “a igreja somos nós, não um prédio”. Se confessa, ando desanimado, ele engatilha um versículo: “mas os que esperam no Senhor renovam as suas forças”. Chatos religiosos são os piores.
Apure, rigorosamente, todo relato de milagre. Escolha ser cético a simplório. A verdade não teme análise, questionamento, suspeita. Indague também pelas motivações. Confira os fatos, mas queira também saber os porquês por detrás dos relatórios sobre grandes eventos. Dúvida faz bem à fé. Os fantásticos geralmente mentem. Exageros, prodígios fenomenais e númerosevangelásticos, em sua esmagadora maioria, se prestam a robustecer os músculos financeiros de algum narcisista. Toda a pretensão messiânica depende de hipérboles. Igreja ou agência missionária que não se contenta com o serviço despretensioso deve ser mantida sob grossas lentes. A correria por elogio, a busca por admiração e o esforço por alcançar os primeiros lugares merecem desdém.
Nunca hesite: mentes sórdidas se escondem sob o manto de um rigor moralista. Quem passa muito tempo se exasperando contra os pecados da carne, não se enganeé escravo da lascívia. E faz tempo. Rigidez puritana não abranda o fogo da cupidez. Só o acirra. As taras mais grotescas – sadismo, estupro, pedofilia – dependem de ambientes austeros e probos. Os que conseguem viver uma sexualidade lúdica adoecem menos. Lei não tem valor algum contra uma libido adoecida.
Faça qualquer coisa – fuja, esconda-se, dê o fora, encontre um escape – para evitar os tapetes azuis do poder. Se for nomeado síndico, presidente de honra da quermesse ou venerando líder da igreja, considere: tais perigos são avassaladores. O poder se insinua aos poucos. Portanto, abra mão de ostentar título em cartão de visita, ou no perfil das redes sociais. Placa de bronze, acrílico, papelão, diploma e medalha, não passam de confetes. Tais bobagens viram lixo na quarta-feira de cinzas da existência. Brigue para não ser tratado com deferência artificial. Caminhe para longe das armadilhas dos bajuladores. Além de toscas, elas escondem punhais.
Desenvolva uma espiritualidade não exibida. Evite tocar trombeta sobre seus predicados. Sejam outros os lábios que te exaltam. Não creia na publicidade que você patrocinar. Não hesite em reconhecer seus tropeções e seja econômico em alardear suas virtudes. Corra da companhia dos pernósticos, eles adoram se gabar sobre os galardões que fingem ser donos. Prefira a discrição.
Desconfie de quem atira pedra com facilidade. Viva longe dos que procuram mostrar-se inoxidáveis. Esses dissimulados nunca vacilam na hora de sacrificar. Basta enxergarem alguma vantagem e lhe entregarão “ao deus dos severos castigos“. Quando parece conveniente, os mais venerandos não piscam duas vezes em defender os rigores da lei. Aliás, todo castismo contém algum mau-caratismo. Corra de quem se ufana dono de nervos de nylon. Rejeite a todo custo sentar na roda dos puríssimos.
Cuidado para nunca oferecer as costas ao chicote do demagogo. Ele jamais soletra misericórdia. Seu prazer, com traços mórbidos, consiste em expor. E depois que fere, gosta de contemplar agonias. Esse é o jeito do santarrões se purgarem. Sem compaixão, fazem tudo para lhe arrastar para a lama em que vivem. Nunca se exponha a quem se enxerga como zelador da sala do trono de Deus. Eles acendem fogueiras com lenha verde. Não hesitam um segundo em expor e arruinar – sempre em nome da santidade, claro. Lembre-se: no meio de gente assim, o juízo triunfa sobre a misericórdia.
Proteja as costas. Jamais esqueça: Jesus foi traído por religiosos. Seja prudente e arisco como as serpentes. Lobos devoradores tentam passar por ovelhas cordiais. Não fale sobre a sua interioridade sem antes certificar-se de que está entre seus pouquíssimos amigos – companheirosde ministério e traidores se misturam (lembre-se de Judas). Quanto mais austero e probo o grupo, mais chance dele já estar manipulado por algum inescrupuloso. Insisto, caso precise abrir a interioridade, certifique-se: o outro consta entre os amigos que você pode contar nos dedos da mão? Não se exponha diante de quem coloca a instituição, a teologia, ou a reputação denominacional, antes da vida. Melhor abrir o coração, de joelhos, com a porta do quarto trancada. Converse a sós com Deus. Ainda assim, muito cuidado: as paredes também ouvem.
Fique na companhia dos vulneráveis, dos pecadores, dos que se mostram agradecidos pela vida. Religiosos, sepulcros caiados, são sorvedouros da espontaneidade, da vida, da alegria. Opte por ambientes simples, menos protocolares. Em mesas pudicas, sobram preconceito, não-me-toques e dondoquices. Cante sem medo – desafinar faz parte. Dance sem receio de pisar os cadarços. Não se impressione com gritos. O cenho franzido da gerontocracia eclesiástica não passa de inveja. Beba seu vinho com singeleza ao lado de gente querida. Brinque mais. E guarde sempre essa verdade: Deus gosta de nos ver felizes.
Soli Deo Gloria