Destaque

"...Então ela se ajoelhou no chão e fez a oração mais linda e sincera que já ouvi. Sem púlpito, sem escândalo, sem óleo da unção, sem liturgia, sem toga, sem ritual... Uma oração perfeita porque saiu da boca de uma criança. Sem segundas intenções, sem grandes pretensões, sem declarar nada, sem chamar a existência a cura, sem "pisar" no inimigo, sem nenhuma dessas arrogâncias existenciais. Apenas rogando a Deus sabendo que Ele sabe o que faz e dEle vem todas as coisas. Sem exigências, apenas súplica...."
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quarta-feira, 13 de maio de 2015

Deus não existe, Ele é

Ricardo Gondim
O verbo existir pertence a coisas e pessoas. Deus não se reduz a substantivo e sequer a uma pessoa. Paul Tillich trabalhou o conceito de que “Deus está sempre para além de Deus”. Isto é, todas as vezes que Deus couber em qualquer definição, nos colocamos diante de um ídolo. Os esboços e as imagens mentais que a palavra “Deus” suscitar serão insuficientes para intuir quem Ele é.
Por isso precisamos de inúmeras – e variadas – metáforas e antropomorfismos. Carecemos de um sem número de alegorias para dar conta de descrevê-lo. Muitas vezes, vestir em Deus atributos humanos como misericórdia, indignação, amor, impaciência ou cordialidade acaba criando paradoxos. Amor e ira – comportamentos humanos – parecem não se juntarem em um só indivíduo. Misericórdia e justiça, segundo pensamos, anulam-se mutuamente. Simplesmente não esgotamos o mistério do grande Outro com as imagens que criamos a seu respeito. A Bíblia está repleta de descrições de Deus que, colocadas lado a lado, acabam nem fazendo muito sentido. Por isso, quem deseja catalogar, de forma coerente, o que os antigos falaram a respeito de Deus, perde-se nas diversas narrativas.
Isaías 46. 9-10 registra: “Lembrem-se das coisas passadas desde tempos remotos: que eu sou Deus e não há outro… que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam. E digo: o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade”.  No mesmo livro de Isaías [66.4], Deus expressa frustração pela desobediência do povo: “Por isso também escolherei um duro tratamento para eles, e trarei sobre eles o que eles temem. Pois eu chamei, e ninguém respondeu, falei, e ninguém deu ouvidos. Fizeram o mal diante de mim e escolheram o que me desagrada”.
A antiguidade concebia o sobrenatural como uma dimensão que ficava além – ou acima – deste mundo visível. Eles pensavam que Deus se mantinha sentado em um “alto e soberano trono”, “envolto em fumaça” e de lá fazia o que bem entendia. Com a revolução da astronomia, desde Galileu Galilei, ficou evidente que o sobrenatural não se situa acima.  O conceito de “um céu lá em cima” não cabe mais.
John S. Erigena (810-877), um pensador deveras original para a época em que viveu, expressou em poesia que Deus não vive em alguma sala remota do universo. Deus está entranhado na realidade.
Oh, tu que és perpétua Essência das coisas
Além do espaço e do tempo e ainda dentro deles,
Oh, tu que transcendes e penetras todas as coisas,
Manifesta-te a nós como te sentimos,
Buscando-te nos escuros lugares de nossa ignorância.
O simples uso do substantivo “Deus” o apequena. Falar de Deus como um sujeito o reduz. Se sou obrigado a pronunciar “Deus” o faço para indicar a teimosia da minha esperança. Vivo em “Deus” pelo sentido de beleza, solidariedade e sede de justiça que sua Presença me inspira. Devido a essa Presença, espero quando não há nenhuma razão para esperar, rio quando o absurdo do sorriso parece um escárnio e choro quando o deboche se torna norma. Só assim vivo em Deus.
Onde a transcendência de Deus se manifesta? Certamente na vida. Nunca nas regiões celestiais. A história, com todas a sua crueldade e beleza, e a vida com toda a sua ambiguidade, são o palco onde o eterno transcende. Ele [Ela] é a atualização do futuro, a negação do mágico, o clamor renitente por justiça, a corporificação da amizade, a solidariedade com o que sofre, o não radical a tudo o que conspira contra a vida.
Deus não está contido nas definições que eu – ou qualquer pessoa – possa dar. Deus reside na possibilidade do milagre, no desabrochar do inédito, nas iniciativas amorosas e na irredutível loucura de crer que o amanhã trará o insólito. Apelo para Rubem Alves:
Se a ação consiste na parteira do futuro, então a atividade humana pode acrescentar o novo ao mundo. Pode constituir, com efeito, um ato de criação. A graça de Deus, ao invés de tornar a criatividade humana supérflua ou impossível, é a política que a torna possível e necessária.
Tal se dá porque no contexto da política de libertação humana o homem encontra um Deus que continua aberto, que ainda não chegou, que está voltado para a atividade humana e é por ela auxiliado. Deus precisa do homem para a criação de seu futuro. “Se Deus não precisasse do homem”, assinala Friedmann, “se o homem fosse simplesmente dependente e nada mais, não haveria sentido para a vida. O mundo não é um esporte divino, e sim, um destino divino”. Assim, a criação de um novo futuro faz parte do pacto de fidelidade mútua para com a libertação humana, unindo Deus e o homem.
O sol da justiça brilhará aqui, no chão que pisamos. No tempo – que nos consome e eterniza – se cumprirá a promessa de que ele vai criar novos céus e nova terra. O tabernáculo de Deus se estabelecerá na praça de uma cidade. Vivemos e existimos rodeados e perpassados pelo eterno. Carecemos apenas de olhos para ver.
Soli Deo Gloria

sexta-feira, 24 de abril de 2015

O cão está furioso – Apóstolo (?) Agenor Duque distribui maldições para quem critica sua teologia

“Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo.
Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus;
Porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos.
Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo?
E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim?
Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus.” – Mateus 5:43-48
Jesus Cristo trouxe aos judeus em seu tempo, e ao mundo, um ensinamento novo. Até então imperava o olho-por-olho-dente-por-dente, ou seja, toda a ação tinha uma reação contrária (nem sempre proporcional). Assim, por exemplo, se alguém era pego em adultério, deveria ser morto por apedrejamento (a lei de Moisés fala de punição para homens e mulheres, mas já naquela época havia o “jeitinho”, tanto que na passagem em que Jesus salva uma adúltera só ela estava ali para ser apedrejada pelos fariseus).
O novo ensinamento era “amai aos vossos inimigos”. Pense em algo completamente revolucionário! Afinal, Jesus falava para uma plateia em tempos de constantes guerras, a um povo que estava sendo oprimido pelo Império Romano e que antes já o havia sido por outras nações. Jesus falava a pessoas que tinham sua esperança de aplicação de justiça nas leis entregues a Moisés, nas quais era possível a pena de morte e a aniquilação de seus inimigos.
Amar aos inimigos não era, definitivamente, um ensinamento desejado. Nós – e eles – nutrimos desejos de vingança disfarçados em desejos de justiça. Para muitos de nós – e para os judeus da época de Jesus – assassino, estuprador, corrupto têm mais é que morrer, são gente que não presta para nada, só para tirar a paz do mundo.
Mas Jesus não pensava assim. Ele sabia que a redenção de uma alma poderia surgir até no último momento de sua vida, e a nós cabia – e cabe – o testemunho pessoal, através dos nossos atos de amor e retidão. O ladrão arrependido é a maior prova disso.
“Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.” – Efésios 6:12
O vídeo abaixo, de menos de um minuto, mostra o Apóstolo (?) Agenor Duque, da Igreja Plenitude do Trono de Deus, lançando maldições contra quem critica sua demoníaca Teologia da Prosperidade. Demoníaca sim, pois prega o contrário do que Jesus ensinava: prega o entesouramento na terra de bens materiais, o individualismo, a exaltação de líderes (quando esses deveriam ser os menores, segundo Jesus), a proibição do cristão de pensar (já que essa teologia prega obediência cega aos seus líderes).
“Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores.
Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos?
Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda a árvore má produz frutos maus.
Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons.
Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo.
Portanto, pelos seus frutos os conhecereis.” – Mateus 7:15-20
Vejam o ódio emanado por esse dito que se diz apóstolo (?) durante o vídeo. Não apenas o ódio no olhar, nos gestos, mas o ódio propriamente materializado através das tais palavras de maldição. E a propósito, se Jesus nos ensina a amar a nossos inimigos, como alguém que se diz seguidor Dele pode vir a amaldiçoa-los, a desejar-lhes o mal?
Simples: pois esse alguém não segue verdadeiramente a Jesus. Se O seguisse, teria seu homem interior transformado e não sairia amaldiçoando a torto e a direito, mas ao contrário, distribuiria bênçãos até para os que porventura lhe fazem algum mal.
Lembrem-se: pelos frutos conheceremos os falsos profetas.
Quer saber de qual árvore o galho do Apóstolo (????) Agenor Duque nasceu? Veja o vídeo abaixo, menos de 30 segundos:
O tal do Benny Hinn não passou apenas sua suposta unção para o Agenor Duque. Passou também sua falsa cristandade. E o mais triste é que muitos seguem a esses.
“E, chamando a si a multidão, disse-lhes: Ouvi, e entendei:
O que contamina o homem não é o que entra na boca, mas o que sai da boca, isso é o que contamina o homem.
Então, acercando-se dele os seus discípulos, disseram-lhe: Sabes que os fariseus, ouvindo essas palavras, se escandalizaram?
Ele, porém, respondendo, disse: Toda a planta, que meu Pai celestial não plantou, será arrancada.
Deixai-os; são cegos condutores de cegos. Ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão na cova.” – Mateus 15:10-14
Os verdadeiros cristãos são aqueles que seguem aos ensinamentos de seu Mestre e Senhor Jesus Cristo. Não são seres infalíveis, podem e vão pecar, mas o Espírito Santo que habita neles Os levará ao verdadeiro arrependimento e Os reconduzirá ao Pai. Porém, os verdadeiros cristãos amarão indiscriminadamente, pois essa é a vontade de Deus. Amarão, inclusive, aos seus maiores inimigos.
Amar e perdoar a quem quer que seja é a maior prova de que nós verdadeiramente morremos para nós mesmos, para nosso orgulho, e renascemos em Cristo Jesus.
Termino com mais um vídeo. É o relato do irmão de um dos 21 cristãos coptas decapitados pelo Estado Islâmico, em imagem que rodou o mundo. Veja a atitude de um verdadeiro cristão, de um homem verdadeiramente transformado pelo poder do Espírito Santo.
Fica a minha oração para que o Agenor Duque, o Benny Hinn e todos os falsos profetas do cristianismo em nosso tempo se arrependam enquanto há tempo.
“Ai de vós quando todos os homens de vós disserem bem, porque assim faziam seus pais aos falsos profetas.
Mas a vós, que isto ouvis, digo: Amai a vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam;
Bendizei os que vos maldizem, e orai pelos que vos caluniam.
Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra; e ao que te houver tirado a capa, nem a túnica recuses;
E dá a qualquer que te pedir; e ao que tomar o que é teu, não lho tornes a pedir.
E como vós quereis que os homens vos façam, da mesma maneira lhes fazei vós, também.
E se amardes aos que vos amam, que recompensa tereis? Também os pecadores amam aos que os amam.
E se fizerdes bem aos que vos fazem bem, que recompensa tereis? Também os pecadores fazem o mesmo.
E se emprestardes àqueles de quem esperais tornar a receber, que recompensa tereis? Também os pecadores emprestam aos pecadores, para tornarem a receber outro tanto.
Amai, pois, a vossos inimigos, e fazei bem, e emprestai, sem nada esperardes, e será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo; porque ele é benigno até para com os ingratos e maus.
Sede, pois, misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso.” – Lucas 6:26-36
Agenor Duque, nós abençoamos a você e toda a sua família em nome do Senhor Jesus Cristo.

segunda-feira, 9 de março de 2015

SEM CONTABILIDADE - (Deus, Créditos e Débitos)

Por Rubem Alves

“Para escrever esta crônica, preciso de dois fios que deixei soltos. Porque eu escrevo como os tecelões que tecem seus tapetes trançando fios de linha. Também eu tranço fios. Só que de palavras.

               O primeiro fio saiu do corpo de uma aranha de nome Alberto Caeiro. (Aranha, sim. Tecemos teias de palavras como casas de morar sobre o abismo.) Disse: O essencial é saber ver (…) Mas isso (…), Isso exige um estudo profundo, Uma aprendizagem de desaprender (…) Procuro despir-me do que aprendi, Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram, E raspar a tinta que me pintaram os sentidos.

               Volta-me à memória o meu amigo raspando a tinta das paredes da casa centenária que comprara, tantas tinham sido as demãos, cada morador a pintara de uma cor nova sobre a cor antiga. Mas ele a amou como uma nova namorada. Não queria por vestido novo sobre vestido velho. Queria vê-la nua. Foi necessário um longo striptease, raspagens sucessivas, até que ela, nua, mostrasse seu corpo original: pinho-de-riga marfim com sinuosas listras marrom.

               Nós. Casas. Vão-nos pintando pela vida afora até que memória não mais existe do nosso corpo original. O rosto? Perdido. Máscara de palavras. Quem somos? Não sabemos. Para saber é preciso esquecer, desaperender.

               Segunda aranha, segundo fio, Bernardo Soares: nós só vemos aquilo que somos. Ingênuos, pensamos que os olhos são puros, dignos de confiança, que eles realmente veem as coisas tais como são. Puro engano. Os olhos são pintores: pintam o mundo de fora com as cores que moram dentro deles. Olho luminoso vê mundo colorido; olho trevoso vê mundo negro.

               Nem Deus escapou. Mistério tão grande que ninguém jamais viu, e até se interditou aos homens fazer sobre ele qualquer exercício de pintura, segundo mandamento – “Não farás para ti imagem” -, tendo sido proibido até, com pena de morte, que seu nome fosse pronunciado. Mas os homens desobedeceram. Desandaram a pintar o grande mistério como quem pinta casa. E, a cada nova demão de tinta, mais o mistério se parecia com a cara daqueles que o pintavam. Até que o mistério desapareceu, sumiu, foi esquecido, enterrado sob as montanhas de palavras que os homens empilharam sobre o vazio. Cada um pintou Deus do seu jeito.

Disse Angelus Silesius: 
               O olho através do qual Deus me vê é o mesmo através do qual eu o vejo. E assim Deus virou vingador que administra um inferno, inimigo da vida que ordena a morte, eunuco que ordena a abstinência, juiz que condena, carrasco que mata, banqueiro que executa débitos, inquisidor que acende fogueiras, guerreiro que mata os inimigos, igualzinho aos pintores que o pintaram.
               E aqui estamos nós diante desse mural milenar gigantesco, onde foram pintados rostos que os religiosos dizem ser rostos de Deus. Cruz-credo. Exorcizo. Deus não pode ser assim tão feio. Deus tem de ser bonito. Feio é o cramulhão, o cão, o coisa-ruim, o demo. Retratos de quem pintou, isso sim. Menos que caricatura. Caricatura tem parecença. Máscaras. Ídolos. Para se voltar a Deus, é preciso esquecer, esquecer muito, desaprender o aprendido, raspar a tinta…

               Os que não perderam a memória do mistério se horrorizaram diante dessa ousadia humana. Denunciaram. Houve um que gritou que Deus está morto. claro. Ele não conseguia encontrá-lo naquele quarto de horrores. Gritou que nós éramos assassinos de Deus. Foi acusado de ateu. Mas o que ele queria, de verdade, era quebrar todas aquelas máscaras para poder de novo contemplar o mistério infinito.

               Outro que fez isso foi Jesus. “Ouvistes o que foi dito aos antigos; eu porém vos digo…” O deus pintado nas paredes do templo não combinava com o Deus que Jesus via. O deus sobre o qual ele falava era horrível às pessoas boas e defensoras dos bons costumes. Dizia que as meretrizes entrariam no reino à frente dos religiosos. Que os beatos eram sepulcros caiados: por fora brancura, por dentro fedor. Que o amor vale mais que a lei. Que as crianças são mais divinas que os adultos. Que Deus não precisa de lugares sagrados – cada ser humano é um altar, onde quer que esteja.

               E ele fazia isso de forma mansa. Contava estórias. A uma delas, os pintores de parede deram o nome de Parábola do Filho Pródigo. é sobre um pai e dois filhos. Um deles, o mais velho, todo certo, de acordo com o figurino, cumpridor de todos os deveres, trabalhador.

               O outro, mais novo, malandro, gastador irresponsável. Pegou a sua parte da herança adiantada e se mandou pelo mundo, caindo na farra e gastando tudo. Acabou o dinheiro, veio a fome, foi tomar conta de porcos. Aí se lembrou da casa paterna e pensou que lá os trabalhadores passavam melhor do que ele. Imaginou que o pai bem que poderia aceitá-lo como trabalhador, já que não merecia mais ser tido como filho. Voltou. O pai o viu de longe. Saiu correndo ao seu encontro, abraçou-o e ordenou uma grande festa, com música e churrasco. Para os pintores de parede, a estória poderia ter terminado aqui. Boa estória para exortar os pecadores a se arrepender. Deus perdoa sempre. Mas não é nada disso. Tem a parte do irmão mais velho. Voltou do trabalho, ouviu a música, sentiu o cheiro de churrasco, ficou sabendo do que acontecia, ficou furioso com o pai, ofendido, e com razão. Seu pai não fazia distinção entre credores e devedores. Fosse o pai como um confessor e o filho gastador teria, pelo menos, de cumprir uma penitência.

               A parábola termina num diálogo entre o pai e o filho justo. Mas o suspense se resolve se entendermos as conversas havidas entre eles. Disse o filho mais moço: – Pai, peguei o dinheiro adiantado e gastei tudo. Eu sou devedor, tu és credor. Respondeu-lhe o pai: – Meu filho, eu não somos débitos. Disse o mais velho: – Pai, trabalhei duro, não recebi meus salários, não recebi minhas férias e jamais me deste um cabrito para me alegrar com os meus amigos. Eu sou credor, tu és devedor. Respondeu-lhe o pai: – Meu filho, eu não somo créditos.

               Os dois filhos eram iguais um ao outro, iguais a nós: somavam débitos e créditos. O pai era diferente. Jesus pinta um rosto de Deus que a sabedoria humana não pode entender. Ele não faz contabilidade. Não soma nem virtudes nem pecados. Assim é o amor. Não tem porquês. Sem-razões. Ama porque ama. Não faz contabilidade nem do mal nem do bem. Com um Deus assim, o universo fica mais manso. E os medos se vão. Nome certo para a párábola: “Um pai que não sabe somar”. Ou: “Um pai que não tem memória”…




Essa mensagem de Ed René Kivitz fala exatamente sobre isso:



Deus, créditos e débitos, por Ed René Kivitz, no domingo 02 de Junho de 2013. -Lucas 15.11-32

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Traficante aceita Jesus no último minuto de vida

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Mensagem: Valorizando os pequenos começos - Ed René Kivitz

Uma mensagem que todo pastor e líder sério, de Deus, deveria ter coragem de pregar em sua comunidade.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Ateus e Religiosos

Isso que é o evangelho que não se propõe a ser nenhuma religião e nem combate nenhuma delas, mas, assim como os ateus do vídeos, entenderam que só se pode ser de Deus se se for da humanidade, só se serve a Deus servindo ao próximo. Mas enquanto isso as religiões de digladiam em nome de um Deus que mais parece um diabo.





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