Destaque

"...Então ela se ajoelhou no chão e fez a oração mais linda e sincera que já ouvi. Sem púlpito, sem escândalo, sem óleo da unção, sem liturgia, sem toga, sem ritual... Uma oração perfeita porque saiu da boca de uma criança. Sem segundas intenções, sem grandes pretensões, sem declarar nada, sem chamar a existência a cura, sem "pisar" no inimigo, sem nenhuma dessas arrogâncias existenciais. Apenas rogando a Deus sabendo que Ele sabe o que faz e dEle vem todas as coisas. Sem exigências, apenas súplica...."
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terça-feira, 25 de agosto de 2015

Sete trombetas e uma taça

Essa é mais uma mensagem daquelas que nos estimulam a orar e nos coloca na posição de totalmente dependentes de Deus.
Muito boa



Para uma outra excelente mensagem sobre oração clique aqui 

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Um pastor, um ateu, um católico e uma agnóstica.


Um pastor, um ateu, um católico e uma agnóstica.

Luiz Felipe Pondé conversa com o teólogo Ed René Kivitz, o gerente de TI ateu Jaime Alves, o católico praticante Italo Fasanella e Ma Dhyan Bavhia, adepta da meditação.

Falar de religião é uma forma de interrogar sobre a condição humana; é caminhar entre a fé e a razão. Hoje se discute Deus com palavras de ordem e frases feitas. Definitivamente perdemos de vista a tradição que as grandes religiões carregam.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Thalles Roberto vai deixar saudades?


thallessaiNum vídeo recentemente divulgado, o cantor Thalles Roberto diz que deixará a música gospel para ir tocar música secular. Até aí nada de mais. Até uma atitude honesta, pois se a intenção é ganhar muito dinheiro cobrando cachês o melhor é que se cante sobre qualquer coisa, ao invés de dar uma de “levita” (?) e dizer que canta para Deus.
O que me incomoda não é nem o Thalles largar o gênero gospel. O que me incomoda são as palavras que ele usou, e que revelam as intenções do seu coração.
Assistam ao vídeo (3 minutos):

(Se não conseguir assistir por estar bloqueado – pois ele está bloqueando a todos os que postam no Youtube, embora adorem pregar “liberdade de expressão” – assista no Facebook: 
)
Ouviram?
“Quando você é rico, quando você é inteligente, quando você tem tudo a máquina roda sozinha!”
“Eu sou o diferente no meio dos gospel. Senhor, mas eu estou acima da média!”
(O suposto senhor respondendo) “Você está acima da média porque está no meio de gente fraca. […] Eu quero ver você lá fora.”
“Música gospel é tudo igual, desculpe a expressão. Qualquer um escreve e faz.” – aqui faço um adendo, pois Thalles assume o lado totalmente comercial da música gospel. Assim, se você é daqueles que acreditam na pureza de intenções dos artistas gospel, e que o alto cachê é para o trabalhador digno do seu trabalho, acorde enquanto é tempo!!!
“A música é mais poderosa que as palavras.” (após usar o exemplo que o tal senhor dele contou: que ninguém se lembra do sermão do ano passado, mas que se lembram de Let It Be, canção dos Beatles de décadas atrás).
Eu creio que Deus fale com as pessoas, mas creio também que Seu nome é usado muitas vezes em vão para justificar nossas vontades. Assim, se eu sou um líder gospel e quero aumentar a arrecadação, chego para minha congregação e digo que “deus” disse que naquele mês não é para os fiéis darem o dízimo, mas sim o trízimo. E em nome de Deus muitos matam, muitos roubam, muitos se beneficiam em detrimento dos demais.
Alargando o caminho, que tava muito estreito
Alargando o caminho, que tava muito estreito
Como já disse, é muito honesto o Thalles ir cantar em outra freguesia e ir ganhar dinheiro lá, pois usar o nome de Deus para ganhar dinheiro é uma grande e profunda abominação. O que me entristece é que o tal cantor não mudou nada. Continua arrogante, se achando a última bolacha do pacote, adotando a premissa gospel do ser cabeça e não ser cauda ao invés da premissa cristã do maior servir ao menor. E continua espiritualizando seus negócios, agora dizendo que vai ganhar dinheiro com música secular por ordenança divina. Na verdade, desde o final do ano passado já havia assinado contrato com a Motown.
Mas nada disso deveria surpreender (O $how do Thalles Roberto tem que parar!).
Enfim, tal cantor dizia que cantava e ganhava dinheiro em nome dos 3 (supostamente Pai, Filho e Espírito Santo). Porém, a partir de agora ele assume ganhar dinheiro, fama, sucesso e tudo o que essas coisas trazem ao ser humano em nome de 1 (Mamom). Se tudo isso fosse bom, Jesus nos incentivaria a buscar a riqueza e a fama. Porém Jesus nos incentiva a buscar primeiramente o Reino de Deus e a sua justiça, e outras coisas (que no contexto da passagem são comer, beber, o básico para a subsistência, e não os tesouros, o melhor dessa terra, como ensinam os falsos profetas dos dias de hoje) serão acrescentadas por Deus.
Leia Lucas 12 inteiro para entender o que Jesus acha da busca por riquezas terrenas e Sua explicação sobre a provisão de Deus na vida dos seus filhos. Leia agora. Vale a pena.
“Ah, mas se não ganhar dinheiro com cachês, como os cantores gospel vão sustentar suas famílias?”
A questão é: se você vai fazer algo para Deus, não deve cobrar por isso. E se você realmente crê que Ele provê, não precisará estipular preço para pregação ou louvor.
Como antítese a Thalles Roberto e tantos outros “artistas gospel”, replico abaixo a história de Keith Green (extraído do Blog Sandro Baggio):
keithKeith Green: Exemplo de Músico Cristão
Você já ouviu falar de Keith Green? Ele teve carreira curta, de apenas 5 anos e oito discos gravados, sendo três destes lançados após sua morte. Mas, como disse Tony Campolo, raramente um músico tem sido um profeta tão grande como ele foi. Nunca um cantor desafiou tantas pessoas a se tornarem missionários e viverem uma vida santa diante de Deus e do mundo. Esta é uma pequena biografia deste profeta e músico para desafiar aqueles que desejam fazer música para Deus nesta geração.
Vindo de uma família de artistas, Keith começou a tocar piano com 5 anos de idade e a compor aos 8 anos. Com 11 anos ele teve seu primeiro disco “Cheese And Crackers” lançado em janeiro de 1965 pela Decca Records. Com este disco, Keith tornou-se o mais jovem membro da Sociedade Americana de Autores, Compositores e Publicadores (ASCAP). Infelizmente, com o passar dos anos, a fama prematura do garoto Keith Green se dissolveu, apesar dele continuar compondo e aparecendo em algumas apresentações de TV.
A família de Keith seguia um alto padrão moral e ele era um bom garoto. Sendo assim, ninguém sabe o que o levou a fugir de casa em duas ocasiões diferentes – aos 16 e aos 17 anos. É provável que o espírito rebelde que pairava no Sul da Califórnia naquela época o tenha influenciado. Em sua segunda fuga ele mergulhou no LSD e numa busca profunda por um sentido na vida. Após ter tentado em várias seitas orientais e comunidades hippies, Keith chegou à conclusão de que Jesus deveria ser a verdade. A partir de então ele começou a usar uma cruz de prata que havia comprado por 10 dólares em uma loja de antigüidades.
Em meados de 1973 Keith Green encontrou Melody. Ela também era artista, estava envolvida com drogas e já havia buscado a verdade no budismo e em outros grupos. Eles se casaram no dia 25 de dezembro de 1974 – em homenagem a Jesus – e começaram a compartilhar o sonho de Keith: ser descoberto por um caçador de talentos e tornar-se um artista famoso. Embora estivessem lendo a Bíblia e certos de que Jesus era a verdade, eles ainda não aceitavam o fato de Jesus ser Deus. Além disso continuavam a usar drogas ocasionalmente. Mas através de contatos com artistas cristãos como Randy Stonehill e Larry Norman, Keith e Melody começaram a conhecer alguns cristãos verdadeiros que passaram a ajudá-los na busca por Deus. Foi durante este tempo que ele escreveu canções como “Jericho” e “The Prodigal Son Suite” que se tornariam clássicos da Música Cristã Contemporânea.
Em 1975, após ouvir um sermão na igreja Vineyard Christian Fellowship, Keith e Melody decidiram entregar suas vidas totalmente a Jesus, aceitando-O como Senhor e Salvador, reconhecendo-O como único e verdadeiro Deus. Esta decisão mudou os rumos da vida do jovem casal. Eles passaram a viver em função de anunciar a verdade do Evangelho para seus amigos e a qualquer outra pessoa que encontrassem. Perceberam também que precisavam fazer algo prático para aquelas pessoas que se convertiam, mas que precisavam de um “abrigo cristão” antes de poderem enfrentar o “mundo lá fora”. Logo a casa deles havia se transformado em um abrigo, cheia de novos convertidos, ex-hippies e ex-drogados, mães solteiras e qualquer pessoa que precisasse de um refúgio temporário.
Após sua conversão Keith decidiu não fazer nenhuma performance pública até ter certeza de que essa era a vontade de Deus para sua vida. Ele continuou compondo e tocando, mas para si somente. Sua fonte de renda nesta época vinha de um contrato de compositor que ele tinha com a CBS. Foi somente em meados de 1977 que o primeiro disco de Keith Green, “For Him Who Have Ears to Hear” (Para quem tem ouvidos para ouvir) chegou às livrarias cristãs. Este disco tornou-se o maior álbum de estréia na história da música cristã, com mais de 300 mil cópias vendidas. O resultado foi que, de um artista totalmente desconhecido, Keith Green logo tornou-se um dos mais populares e procurados cantores do cenário da música cristã.
Junto com seu primeiro disco, Keith e Melody decidiram fundar o Last Days Ministries, como um meio de manter contato com seus fãs e difundir suas idéias e conceitos cristãos. Graças a este ministério, a mensagem de Keith Green continuou sendo distribuída através de folhetos e livros mesmo depois de sua morte.
Nos anos seguintes, Keith Green gravou “No Compromise” (1978) e “So You Wanna Go Back to Egypt” (1980). Em 1981 uma coletânea com alguns de seus maiores sucessos e outras canções inéditas foi lançada. Keith Green era então o maior nome da Música Cristã Contemporânea americana. Mas apesar de amar a música e compor com uma tamanha flexibilidade e facilidade, Keith estava tremendamente preocupado com o conteúdo espiritual de suas canções. E estava igualmente preocupado com a condição espiritual de seus ouvintes. Por este motivo, seus concertos começaram a tomar um rumo cada vez mais de ministração através da música e da pregação da Palavra do que um mero entretenimento. De fato, Keith Green odiava a idéia de “entretenimento cristão”.
O escritor Leornardo Ravenhill diz o seguinte acerca de Keith:
“Keith tinha fome por conhecer aqueles heróis que moveram suas gerações para Deus e ele seguia seus passos. Ele tinha um zelo santo e uma pureza que eu tenho visto em poucas pessoas. Eu não acho que Keih estava preocupado com o evangelho de Cristo o tanto quanto ele estava preocupado com a pessoa de Cristo. Eu acho que era esta sua maior paixão. (…) E ele derramava esta paixão do interior de sua alma através das letras vibrantes de suas canções.”
“Songs For the Shepherd”, o quarto disco da carreira de Keith Green foi lançado em abril de 1982. Após o lançamento do disco, Keith e Melody decidiram fazer uma viagem de férias pela Europa visitando várias bases missionárias da JOCUM. Na ocasião eles visitaram o navio Anastasis na Grécia, que havia sido adquirido pela missão e estava sendo reformado para o ministério. Keith ficou empolgado com o que viu. Ao retornar para os Estados Unidos ele começou a pensar seriamente em dedicar sua música e ministério para o despertamento de jovens para missões. Seu sonho era ver 100 mil jovens indo para o campo missionário. Algumas de suas novas canções como “Open Your Eyes” (Abra seus olhos) e “Jesus Commands Us to Go” (Jesus nos manda ir) começavam a refletir este desejo.
No dia 28 de julho, Keith estava em seu rancho e sede do LDM no Texas quando decidiu levar uma família de missionários que estavam visitando-o, para uma vista aérea do local. Doze pessoas decolaram no pequeno avião Cessna 414 naquela tarde quente de verão para aterrizarem na eternidade. Além do piloto, da família de missionários e de Keith, seus dois filhos mais velhos, Josiah de três anos e Bethany de dois, também morreram. A notícia do desastre foi um choque para a comunidade cristã. Dez dias após o trágico acidente que tirou a vida de Keith Green, o navio Anastasis ancorou em um porto na Califórnia em sua primeira viagem. Keith estava tão entusiasmado com a visão que havia enviado 28 mil dólares para cobrir as despesas da viagem de seis dias e a taxa da travessia pelo Canal do Panamá. Ele havia planejado estar lá para saudar a chegada do navio. Não pode ir. Mas quando o Anastasis atracou nas docas, o sistema de som local tocava “Santo, Santo, Santo…”. Sua voz podia ser ouvida adorando aquele a quem ele tanto amava e na presença de quem agora estava.
Após a morte de Keith, Melody Green organizou um Concerto Memorial que foi levado a diversas cidades americanas. Como resultado deste, milhares de jovens se envolveram com programas missionários através de organizações como Jovens Com Uma Missão (JOCUM) e Operação Mobilização (OM). Em 1989, Melody lançou “No Compromise”, um livro vibrante com a história da vida de Keith Green. Três anos depois, por ocasião dos dez anos de sua morte, um grupo de artistas cristãos famosos como Petra, Margaret Becker, Russ Taff e outros, reuniu-se em uma coletânea com algumas de suas músicas mais conhecidas. Desta forma a música de Keith Green continuou a ser ouvida pela geração mais jovem da Música Cristã Contemporânea.
Que o exemplo de compromisso com Deus e com a santidade deixado por Keith Green possa ser um desafio a todos nós chamados para brilhar como astros no meio de uma geração corrompida e perversa.
E mais!!! (Wikipedia)
Em 1979, depois de negociar o encerramento de seu contrato com a produtora Sparrow, Green sentiu-se direcionado por Deus a não mais cobrar dinheiro por suas apresentações e seus discos e lançou a política do “pague o que puder”. Keith e Melodyhipotecaram sua casa para financiar pessoalmente o próximo álbum, “So You Wanna Go Back To Egypt”, que incluiu uma participação especial do cantor Bob Dylan, que na época vivia sua fase cristã. O disco foi oferecido através do correio e nos shows pelo valor que cada a pessoa decidisse pagar, se quisesse pagar. Em Maio de 1982, Green tinha enviado mais de 200.000 unidades de seu álbum via correio. Desses, por 61.000 ele não recebeu nada, foram todos gratuitos. Posteriormente da mesma forma os álbuns “Keith Green Collection” (1981) e “Songs For The Shepherd” (1982). Quando sua música foi enviado para as livrarias evangélicas, um segundo foi incluído de forma gratuita para todos os cassetes comprados, para serem dados de presente a um amigo para ajudar a difundir o evangelho. Ou seja, o lucro era zero.
Posteriormente a política do “pague o que puder” foi estendida a todos os seus outros álbuns e materiais produzidos pelo seu ministério.

E então? Entendeu a diferença entre ser cantor gospel e ser músico cristão? E você estaria disposto a agir como Keith Green agiu, ou prefere continuar na segurança que o mundo dos negócios gospel lhe dá?
Oremos pelo Thalles. A porta para onde ele caminha está larga demais.
Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

Postado originalmente no site:
https://estrangeira.wordpress.com/2015/07/18/thalles-roberto-anuncia-sua-saida-do-gospel-assumindo-a-troca-dos-3-por-1/

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Nada no Evangelho é sentimento e emoção O Evangelho é Espírito, Verdade e Vida!

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Entrevista Ed Rene Kivitz a BBC

Na semana passada, uma série de denúncias de ataques contra membros e templos de religiões de matriz africana e espíritas tomou a mídia. Em um dos casos mais graves, uma menina candomblecista de 11 anos foi agredida a pedradas na saída de um culto no Rio de Janeiro, o que fez com que o tema da intolerância religiosa voltasse a preocupar lideranças de diferentes matizes.
Sexta-feira, também no Rio de Janeiro, um médium foi encontrado morto com sinais de espancamento, em um caso que ainda não foi esclarecido.
Na opinião de Ed René Kivitz, de 51 anos, que há 26 atua como pastor da Igreja Batista, o momento é de "muita preocupação".
Formado em Teologia e mestre em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo, Kivitz, que integra o movimento Missão Integral - que congrega diferentes lideranças evangélicas - questiona os argumentos do que considera como algumas "lideranças extremistas".
Para ele, o tom bélico assumido por alguns políticos de origem evangélica e alguns pastores que se utilizam dos meios de comunicação de massa - do "nós contra eles" - cria um "clima propício para que gente doente, ignorante, mal esclarecida e mal resolvida dê vazão ao seus impulsos de violência e de rejeição ao próximo".
Em entrevista à BBC Brasil, Kivitz se disse a favor dos direitos LGBTs, por entender "que são cidadãos, independentemente da minha concordância com a orientação sexual ou a identidade de gênero que eles têm" e contra a redução da maioridade penal. Sobre o aborto, manifestou-se contrário, mas "a favor de uma melhor compreensão da legislação em termos de saúde pública e da preservação da mulher".
O pastor, que vem se articulando com colegas de diferentes Estados, diz que "a face evangélica que está exposta para o imaginário coletivo do brasileiro é a face mais grotesca, mais triste, e que não representa a índole da Igreja Evangélica brasileira".
Com seu trabalho, ele diz buscar espaço para mostrar um lado mais "ponderado, inclusivo e progressista" dos evangélicos.
Veja os principais trechos da entrevista:
BBC Brasil - Como membro da Igreja Batista, como o senhor vê os casos recentes de intolerância religiosa ocorridos no Rio de Janeiro? É algo que preocupa? Na sua visão, como os líderes evangélicos deveriam se posicionar?
Ed René Kivitz - Me preocupo muito com a questão da intolerância religiosa sim, embora eu ache que no Brasil isso seja muito localizado, e faça parte de um momento, de um recorte de tempo muito específico que estamos vivendo. Não faz parte da índole do povo brasileiro, e nem da índole cristã, quer seja católica ou evangélica, e evidentemente não faz parte da índole do Evangelho.
Eu acho que é algo isolado, mas preocupante também para a imagem da Igreja Evangélica, que está sofrendo muito por conta dessas lideranças radicais que estão construindo no imaginário da sociedade brasileira uma ideia do ser evangélico que não corresponde à grande parcela da nossa população que se identifica como evangélica.

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"As pessoas não entendem que quando um deputado evangélico chega à Câmara em Brasília ele deveria deixar de ser evangélico e se tornar um defensor da cidadania"

BBC Brasil - Críticos argumentam que estas lideranças evangélicas que defendem de forma mais acirrada sua agenda moral estariam alimentando um "discurso de ódio" no país. Embora não se possa afirmar isto, o senhor acredita que pessoas com maior tendência à intolerância religiosa possam estar encontrando amparo nestas posições, ao verem figuras influentes no cenário nacional mantendo uma ideologia de confronto e não de conciliação com relação a grupos com visões diferentes, sejam estes grupos de outras religiões, LGBTs, defensores do aborto, minorias, etc?
Kivitz - É preocupante ter uma liderança expressiva desenvolvendo um discurso de "nós contra eles", um verdadeiro contrassenso para uma liderança religiosa, já que não se tolera isso nem de uma torcida organizada de futebol, que dirá de uma figura tida como um orientador, um guia espiritual.
Quando você encontra uma liderança com este discurso, você cria um ambiente propício para que gente doente, ignorante, mal esclarecida e mal resolvida dê vazão ao seus impulsos de violência, de rejeição ao próximo, aos seus ímpetos de prepotência, à sua ambição e sede de poder, à sua personalidade opressiva.
Enfim, não é difícil, quando você cria este ambiente bélico, que pessoas extremadas se sintam legitimadas para os seus atos inadmissíveis. Eu acho que é isso que está acontecendo no nosso país, e acho que infelizmente deve-se fazer este registro que não são os líderes religiosos que incitam ao ódio. Essa expressão é abominável, ela precisa ser riscada do nossos textos. Não é possível que um líder religioso, em sã consciência, esteja incitando o ódio, isso é um tiro no pé.
Mas sim, um discurso bélico, um discurso de confronto, no lugar de um discurso de reconciliação, cria, de fato, um ambiente onde as manifestações violentas tendem a ser legitimadas, ainda que isso seja inconcebível.
BBC Brasil - Sobre os casos ocorridos no Rio de Janeiro, o senhor tem algum posicionamento específico? A menina atacada com pedradas deveria ter sido recebida por mais líderes evangélicos, por exemplo, e não só pelo arcebispo da Igreja Católica e pelo prefeito Eduardo Paes?
Kivitz - Eu recebi a informação de que o pastor da Igreja Batista da Vila da Penha, na Zona Norte do Rio, cancelou as atividades no domingo e encorajou os fiéis a participarem de uma marcha a favor da tolerância religiosa.
O que eu acho é que nós deveríamos dar mais destaque, na mídia, para essas iniciativas de paz e de aproximação. Eu não estou dizendo que deveríamos ocultar os fatos, mas sim que a imprensa deveria dar menos linhas para os fatos ruins e mais linhas para os atos que buscam construir uma sociedade melhor. Outro grupo evangélico do Rio se uniu recentemente para ajudar na reconstrução de um centro de religiões africanas que havia sido queimado por grupos intolerantes, algo pouco noticiado, por exemplo.
BBC Brasil - Caso este momento de tensão continue se expandindo no Brasil, com a atuação da bancada evangélica no Congresso, embates de líderes religiosos com figuras da mídia e grupos LGBT, e discussões polêmicas como a criminalização da homofobia, liberação do aborto e redução da maioridade penal, como o senhor avalia as chances de um maior diálogo a curto e longo prazos?
Kivitz - Para termos um país que possa se considerar legitimamente democrático e republicano, temos que fortalecer tanto as nossas instituições políticas como a participação popular. Temos que valorizar os movimentos sociais, aplicar a lei com vigor a todo ato criminoso, de qualquer natureza e praticado por quem quer que seja. Acho crucial que exista também um estado de alerta na sociedade brasileira, que se levante contra todo e qualquer grupo que pretenda um controle hegemônico.
Quando eu digo um controle hegemônico, quero dizer que uma sociedade se constrói dando vez e voz a todas as formas de expressão de crenças, de culturas, de interesses de grupo. Você não pode permitir que a bancada evangélica seja hegemônica no Congresso, da mesma forma que você não pode permitir que a bancada do PT seja hegemônica. Nós não queremos um país governado por um grupo, por uma cultura ou por uma crença. Nós não queremos um país controlado por uma maioria muçulmana, mas também não queremos um país governado por uma maioria evangélica.
É nisso que eu acho que no Brasil ainda não amadureceu. As pessoas não entendem que quando um deputado evangélico chega à Câmara em Brasília, ele deveria deixar de ser evangélico e se tornar um defensor da cidadania. Claro que ele tem todos os seus valores, convicções religiosas e opções ideológicas, mas ele não está lá para defender a cabeça dele, nem o segmento da sociedade que o colocou lá.
Quando você tem uma sociedade em que um grupo pretende tomar de assalto a voz de todos e impor a sua agenda sobre todos, isso não é uma sociedade democrática, mas sim uma ditadura conquistada no voto. Então a gente tem que bater forte em todo grupo que se pretenda hegemônico, seja ele político, religioso, ou qual for. Inclusive a militância LGBT, que tem que compreender que tem seus direitos, e quem não concorda com ela também tem seus direitos, isso é democracia.
BBC Brasil - Diante dos seus argumentos é inevitável questioná-lo sobre os posicionamentos do atual presidente da Câmara, o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que vem protagonizando debates e encampando abertamente a defesa de temas, ao afirmar que a discussão sobre o aborto só ocorreria "sobre seu cadáver" e colocando-se contrário ao casamento gay e a favor da redução da maioridade penal, além de divulgar abertamente sua "agenda da família", conjunto de valores morais base de sua campanha. Como o senhor avalia a influência de um presidente de um Parlamento democrático com estes posicionamentos num país tão polarizado como o Brasil neste momento?
Kivitz - Em vista de tudo que falei anteriormente, este tipo de posicionamento jamais deveria ocorrer, e não coopera em nada com o amadurecimento de uma sociedade democrática.
O voto não é o caminho para que a vontade da maioria se sobreponha à da minoria. O voto deveria ser o exercício do cidadão em discernir o que é melhor para o todo da sociedade, e não para fazer valer o seu ponto de vista sobre esta sociedade.
É este amadurecimento democrático que nós no Brasil ainda não temos e que os nossos líderes políticos não cooperam em nada para desenvolver. Ou seja, eu não posso votar num candidato apenas levando em conta se sou contra ou a favor do aborto, mas sim pensando no que seria um posicionamento justo para a sociedade brasileira com relação à legislação que trata do aborto.
Ao insistir em defender o ponto de vista do seu grupo, você fica num cabo de guerra constante, um puxando para um lado, e o outro puxando para o outro, e não se chega a lugar nenhum, perpetuando-se a relação "nós contra eles".
Quando você tem um presidente do Parlamento tentando impor sobre a sociedade o seu ponto de vista e o ponto de vista do seu grupo, ele não tem índole democrática. Ele não está pensando no bem da sociedade, mas sim apenas na vitória da sua ideologia ou da sua convicção religiosa. Isso contraria inclusive a origem e a história do Protestantismo, que nasce com a defesa da liberdade de consciência, da separação entre Igreja e Estado, a valorização dos direitos individuais, e a luta pela liberdade de expressão. É muito triste ver um líder religioso completamente dissociado do movimento que lhe dá respaldo.
Em outras palavras, essas lideranças evangélicas que estão presentes na mídia e no cenário político brasileiros merecem a hashtag #nãomerepresentam.
BBC Brasil - Neste processo, é possível competir com lideranças evangélicas que compram espaços de emissoras de televisão, o meio de comunicação que ainda exerce maior influência de massa sobre a população brasileira?
Kivitz - A TV no Brasil, de forma geral, ainda se preocupa muito mais com o circo, o sensacional, os embates e os extremos, do que com o diálogo e a discussão construtiva. A mídia tem um papel muito forte nisso. Os movimentos LGBT, por exemplo, são pintados sempre como mocinhos, e os evangélicos todos demonizados como homofóbicos, o que é uma inverdade. Há evangélicos a favor desses direitos, e há extremistas dos dois lados do debate. Mas para o circo da mídia não interessa colocar gente moderada dos dois lados conversando. A face evangélica que está exposta para o imaginário coletivo do brasileiro é a face mais grotesca, mais triste, e que não representa a índole da igreja evangélica brasileira, com a mais absoluta certeza.
Quanto ao espaço comprado por lideranças extremistas, é uma arma poderosa e uma luta desigual, porque estes espaços custam milhões e sabe-se que para conseguir estes milhões, essas lideranças com flexibilidade ética e moral conseguem mais fácil do que aqueles que têm uma consciência moral e respeitosa não só aos seus princípios religiosos e espirituais, como também à massa e à população brasileira.
BBC Brasil - O que podemos esperar a médio e longo prazos deste cenário atual no país? Que papel outras lideranças evangélicas podem assumir neste debate?
Kivitz - Eu gostaria de sublinhar que a liderança evangélica que me representa é uma minoria também. Quando eu ouço as minorias lutando pelos seus direitos e mais respeito às suas vozes, eu me identifico. Sejam os movimentos dos negros, dos LGBTs, das mulheres, dos trabalhadores sem-terra.
Eu também sou uma liderança evangélica que precisa lutar por reconhecimento e espaço, e que muitas vezes sequer é ouvida pela sociedade, como se a Igreja Evangélica fosse uma coisa só, esta coisa apresentada pelos extremistas.
E aí nós fazemos um barulho que, perto dessa estratégica de massa dos radicais, é pequeno, mas ele existe. Por exemplo, nós estamos nos mobilizando contra a redução da maioridade penal, contra o trabalho escravo, pela valorização da criança. Existe uma Igreja Evangélica diferente aí, trabalhando pela sociedade. E há igrejas evangélicas que são uma poderosa ferramenta de transformação social nas periferias de todo o Brasil, isto também precisa ser lembrado.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

O ataque aos pastores

O ataque aos pastores
Ricardo Gondim
Clint Eastwood produziu – e dirigiu – alguns filmes densos. Os que lidam com o abuso de crianças, especialmente, são inquietantes. Gostei da trama de A Troca - “Changeling”. O filme é baseado em fatos reais. Um garoto desapareceu enquanto a mãe, divorciada, trabalhava algumas horas extras em um dia de sábado. Para reencontrar o filho, Christine – Angelina Jolie – enfrenta sozinha a corrupta máquina policial de Los Angeles; ainda por cima tem de manter o emprego. Sua angústia contagia. A estrutura perversa de um departamento de polícia carcomido por politicagem parece monumental, intransponível.
O pastor presbiteriano, Gustav Briegleb – John Malkovich -, que já se vinha se manifestando contra a violência policial, une-se a Christine. A militância do reverendo Briegleb encanta por sua ética. Ao longo do filme, o pastor é destemido e persistente. A causa de mulher e do seu filho se tornam sua causa. Obviamente, no melhor estilo de Hollywood, o homem ajudar a recuperar o menino e a desmontar a farsa que dominava o gabinete do xerife. Quando apareceu o “The End”, e projetaram as explicações sobre os desdobramentos da cooperação entre o pastor e a mãe, falei quase em voz alta: Quando crescer, quero ser igual a esse pastor. A atuação do reverendo Briegleb havia desencadeado mudanças profundas nas leis da cidade – sua obstinação ainda salvaria pessoas que nem tinham nascido.
Ser pastor – católico romano ou protestante – tornou-se complicado. O clero, principalmente o associado ao movimento evangélico, passou a ser descrito como oportunista, incitador de ódio e aproveitador da ignorância popular. A generalização atinge muita gente que não tem nada a ver com os mega negócios que movimentam o neopentecostalismo. Não me vejo alvo da guerrilha verbal que os próprios neopentecostais começaram. Não quero precisar mostrar, o tempo todo, que nem todo os pastores merecem a vala comum dos patifes. A credibilidade de outros sofre com a mesma suspeita, e isso é ruim.
Nem todo o clero desempenha o papel de baby-sitter de crentes ávidos por uma “mãozinha” celestial. Ser ministro do evangelho não significa que alguém aceitou a função de carimbador de vistos para o céu. A quem não sabe, informo: é possível encontrar cristãos em movimentos populares. Conheço gente que marcha, não nos carnavais fora de época que se pretendem por Jesus, mas reivindicando reforma agrária. Há bons crentes – católicos e protestantes – enfronhados em militância social. Admito que muitos pastores – com certeza ocupados em azeitar a máquina religiosa – nunca abraçarão causas sociais. Fome e sede de justiça não dão fama e poucos vão dar a cara a bater na defesa de pessoas discriminadas e marginalizadas.
O momento vem sendo tomado por pastores famosos, especialistas em questiúnculas sobre doutrina, dogma. Eles se alastram e ganham espaço devido ao empenho de legislarem sobre moralismos e por suscitarem ódio e intolerância. O resultado trágico é que o testemunho cristão virou piada, deboche, escárnio.
Acredito que esse grupo conservador – poderosíssimo – tende a recrudescer em sua obstinação dogmática e obscurantista. Ele continuará a repetir fórmulas desgastadas, propagando que a fé cristã é única em resgatar as pessoas do inferno medieval e de garantir um céu de delícias. Como cristão proponho um caminho diverso. O tempo, os recursos financeiros e a mobilização de tanta gente crente não podem ser desperdiçados. É necessário que progressistas se manifestem e afirmem que a função da igreja consiste em resgatar a vida, protegendo os indefesos, seja na opressão do mercado, no preconceito de gênero e até na frieza eclesiástica. Espero que chegamos ao fundo do poço logo. E daí, mais evangélicos comecem a repensar suas premissas teológicas fundamentalistas. O ônus de mostrar relevância está com a igreja. Talvez o atual desgaste não sufoque, mas ajude a termos mais ícones como Martin Luther King e Dorothy Stang.
Como pastor pentecostal, procuro o caminho estreito. Desde sempre denunciei que a teologia da prosperidade não é desvio da mensagem de Jesus mas uma perversidade teológica. Em nome de uma divindade “que funciona”  líderes ficaram ricos – alguns milionários e pelo menos um, bilionário. Jamais calei diante da instrumentalização do que considero cristão para fins políticos. Parei de aceitar o avivamento de uma agenda pretensamente conservadora, mas que é em sua essência, demagógico e hipócrita.
Como cuidei basicamente de igrejas urbanas, também preciso fazer um mea culpa. Confesso: perdi tempo com a máquina eclesiástica. Me deixei absorver por programações irrelevantes devido à vaidade de falar em determinadas conferências. Em nome da verdade, defendi teologias desconexas da existência. Fiz promessas irreais sem levar em conta a aspereza da história. Discuti ideias estéreis. Corri em busca de uma glória diminuta. Entreguei-me de corpo e alma à oração, fiz vigílias, jejuei. Ralei os joelhos em busca de uma espiritualidade eficiente. Acreditei que a maturidade humana aconteceria pelo caminho do pieguismo. (Ledo engano; foram meus companheiros de oração que se levantaram contra mim). Conto os anos e constato que o meu futuro ficou mais curto que o meu passado. Indago a mim mesmo: Qual a pertinência do meu esforço? O meu legado terá fôlego? Se só agora noto que o tempo é uma riqueza não renovável, me resta lamentar.
Com o achincalhe que vários líderes religiosos passam, aconselho aos pastores que abram mão de egolatrias tolas. O fascínio por títulos, riqueza, ostentação e poder político terão consequências ruins sobre vocês mesmos. Não é apenas tolice brincar de importante em nome de Deus mas, trágico. O caminho estreito continua possível. Por mais que pareça incrível, alguns já optaram por ele. Basta assistir mais uma vez ao filme do Clint Eastwood e ler a biografia de Francisco de Assis.
Soli Deo Gloria

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