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"...Enquanto ensinarmos que o mundo é um lugar a ser evitado, que as mazelas humanas são fruto da ausência de Deus, que Deus não ouve os pecadores, que só a igreja evangélica é que detém os "diretos autorais" da salvação, que ser forte e inabalável é sinônimo de fé e que ser pecador é ser inimigo de Deus então ainda não entendemos o plano da salvação e o evangelho de cristo rebaixado apenas á mais uma religião...."
"Sequencia de vídeos diários com a leitura do Novo Testamento"

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Aceitar a Jesus não é suficiente

Ganhar almas para Cristo é, ou pelo menos deveria ser, uma preocupação de todo Cristão. A bíblia diz que quem é ganha almas sábio é, e algumas igrejas dizem que coração de Deus bate por almas.
Nossa liturgia em nossos cultos e eventos nos ensinou a acreditar que ganhar almas é convencer o maior número possível de pessoas a levantar a mão e fazer uma confissão de pecados ao final do sermão, a esse ato chamamos de “Aceitar a Jesus” e a pessoa que convenceu a outra a fazê-lo dizemos que ela “Ganhou uma alma pra Jesus”.

Então planejamos qual é a maneira mais eficiente de encher cada vez mais nossos templos com mais e mais gente para termos um número maior de pessoas “aceitando a Jesus”. Logo ensinamos aos neófitos que eles também precisam contribuir com o projeto de trazer mais uma pessoa para a igreja a fim de que essa também possa “aceitar a Jesus” e continuar esse ciclo vicioso até ganharmos o mundo todo pra Jesus. Em síntese, essa é a proposta dos evangélicos.

Logo que o novo convertido já virou um freqüentador de igreja assíduo, acaba entrando inconscientemente numa “disputa santa” de quem traz mais gente pra igreja e  de quantas pessoas, por meio dele, “aceitam a Jesus”. Ele ganha o fardo de uma espécie de meta para convencer gente a ir a igreja. Periodicamente o pastor da igreja cobra de seus membros com a famosa frase: “Quantas pessoas você ganhou pra Jesus esse ano?”. Como se tivéssemos uma meta mínima a cumprir e que um anjo nos impedisse a entrada nos céu caso não atingíssemos essa meta.

Se após o apelo algumas mãos se levantam logo dizemos: “O culto foi uma benção, houve conversões.” E na verdade não duvido que haja!
Mas aceitar a Jesus não é uma atitude momentânea ou uma experiência emotiva.
Crer em Jesus não é fruto de uma reeducação mental do tipo que repete frases positivas em frente ao espelho pela manhã: “Eu creio em Jesus. Eu creio em Jesus. Eu creio em Jesus.”  E por causa disso se achar salvo.  Não se consegue a salvação por meio da elucubração mental.

Apenas confessar verbalmente a Jesus não é passaporte para salvação, é necessária uma atitude diária e uma mudança de valores considerável. Se a salvação vier apenas de uma declaração de fé verbal então condenamos ao inferno todos os mudos, já que eles nunca poderão proferir as palavras “mágicas” que dão vida eterna.

Acredito que crer em Jesus é acreditar naquilo que ele ensinou e dar valor aos seus ensinamentos. Obedecer á sua palavra é a melhor maneira de você demonstrar que acredita nEle. Conheço várias pessoas que dizem que crêem em Deus e em Jesus, algumas até vão á igreja, mas que no seu dia-a-dia vivem como se Ele não existisse ou como se o que Ele ensinou não valesse nada e não precisasse ser levado em conta.
Podemos ganhar pessoas pra Jesus não só levando-as para a igreja mas também tendo uma vida que demonstre que Jesus é o seu Senhor. As pessoas verão atitudes diferentes, encontrarão perdão, auxílio, conhecerão valores contrários aos comuns, terão atenção e  tolerância. Serão amadas como se ama a si próprio.

Sabe aquele famosa frase “Sou crente mas não sou trouxa!”? Já a ouvi várias vezes e sempre em tom soberbo e triunfalista. Acredito que em alguns casos ela não deve ser aplicada e devemos sim ser considerados “trouxas” porque nossos valores devem ser diferentes depois que “aceitamos a Jesus”. Por exemplo, você vai ao mercado e dá uma nota de R$ 20,00 pra pagar uma conta de R$  16,00, mas moça do caixa se confunde e diz que você só deu uma nota de R$ 10,00 e lhe cobra o restante.  A maioria e nós já teria aquele pensamento na mente “Sou crente, mas não sou trouxa!” e arranjaria a maior confusão, chamando o gerente da loja e o que mais pudesse fazer só para provar o erro da moça e economizar alguns trocados. Mas com isso sua imagem de cristão seria comprometida, porque tenho certeza que Jesus não teria uma atitude tão radical e intolerante como essa. E a chance de mostrar misericórdia seria perdida.

Recentemente fui pagar a mulher que vende Yakult e ela não tinha trocado para me dar, revirou a bolsa, tentou encontrar alguma coisa no bolso da calça, mas não tinha. Quando ela disse que iria em algum lugar pra trocar o dinheiro e pediu que eu aguardasse eu disse que não precisava que poderia ficar com o troco, ela abriu um sorriso e disse que aquilo era uma atitude muito rara de acontecer. Abri mão de economizar alguns trocados, que não fazem diferença no meu orçamento, para abençoar outra pessoa e mostrar tolerância.
Lembro-me de uma outra ocasião muito interessante quando parei em um farol onde um homem que aparentava ser um pai de família honesto vendia balas por 1 real. Ele deixou um pacotinho no retrovisor e saiu, senti uma vontade de comprar não por causa da bala, mas me coloquei no lugar dele fora do conforto do meu carro. Peguei a carteira pra ver se tinha alguma moeda mas só estava com uma nota na carteira que dava pra comprar muitas balas dele, quando dei a nota ele foi verificar se tinha como me dar o troco então eu disse que ele podia ficar com o troco e que gastasse com a família. Resumindo a história, ele ficou tão grato que ameaçou se ajoelhar do lado do carro para agradecer. Nessa história a maior felicidade foi minha. Como me senti grato pelo que tenho e por poder abençoar alguém.

Atitudes cristãs de misericórdia, tolerância e amor diários a todos sem distinção, são a prova de ter aceitado a Jesus e confirmação de que se crê nEle. Mesmo que alguém como eu nunca tenha ido lá na frente da igreja para “aceitar a Jesus”.

Na história das ovelhas e dos bodes descrita no livro do apocalipse os bodes foram condenados não pelo baixo de número de pessoas que “ganharam” para Jesus,  ou por não terem cumprido ”a meta”, mas porque negligenciaram o serviço e foram econômicos no amor e no apoio aos necessitados. O mesmo pecado que condenou a extinção as cidades de Sodoma e Gomorra. A maioria dos cristãos aprendeu que Sodoma e Gomorra foram destruídas por causa da homossexualidade  e da perversão, mas não foi por isso que elas foram destruídas! Veja o real motivo em Ezequiel 16:49:
Eis que esta foi a iniqüidade de Sodoma, tua irmã: Soberba, fartura de pão, e abundância de ociosidade teve ela e suas filhas; mas nunca fortaleceu a mão do pobre e do necessitado.

Aceitar a Jesus não é uma atitude pontual, não tem dia específico e  não é apenas crer em Jesus mas é agir como Jesus, como ele mesmo disse: aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores  (João 14:12)

Por isso, apesar de não achar totalmente errado, não sou muito defensor de apelos para se aceitar a Jesus, sob o pretexto de uma pseudo conversão ou para sentir que se está ganhando almas. Afinal de contas ganhar almas está longe de ser sinônimo de encher igreja.

Sola Gratia
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