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"...Enquanto ensinarmos que o mundo é um lugar a ser evitado, que as mazelas humanas são fruto da ausência de Deus, que Deus não ouve os pecadores, que só a igreja evangélica é que detém os "diretos autorais" da salvação, que ser forte e inabalável é sinônimo de fé e que ser pecador é ser inimigo de Deus então ainda não entendemos o plano da salvação e o evangelho de cristo rebaixado apenas á mais uma religião...."
"Sequencia de vídeos diários com a leitura do Novo Testamento"

quinta-feira, 15 de julho de 2010

O cristianismo que toma o lugar de Cristo

Em Antioquia foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos. (Atos 11:26)

Sim, foi em Antioquia algum tempo após Cristo ser assunto aos céus que Seus seguidores passaram a serem chamados de “Cristãos”. Um termo inicialmente pejorativo, uma certa ofensa ou deboche. Dizer que alguém era cristão era como chamá-los de cristinhos ou cristozinhos, ou seja, pequenos e insignificantes imitadores de Cristo.

Os discípulos aceitaram este termo porque era exatamente aquilo que eles gostariam de ser: Pessoas simples, porém querendo ter o caráter de Cristo.  Hoje em dia é o contrário, a busca pelo poder e pelo status está sendo cada vez maior, mesmo que para isso se tenha que perder o caráter cristão.

Cerca de 310 anos se passaram e o imperador Constantino assumiu o poder em Roma. Ganhou a batalha da ponte Mílvia contra Maximiano, supostamente após ter tido um sonho com a Cruz que era símbolo dos pobres e perseguidos cristãos onde estava escrito:  “IN  HOC SIGNO VINCES”  que quer dizer:   “Sob este símbolo vencerá”. Então ele mandou pintar nos escudos dos soldados a cruz dos cristãos e acabou vencendo a batalha.

Agradecido por ter conseguido o poder, Constantino se converte e promulga o edito de Milão no ano 313 onde acabava com a perseguição aos cristãos e em 388 o imperador Teodósio I promulga o edito de Constantinopla que obrigava a todos de Roma a serem cristãos. Estava então fundado o cristianismo como religião.

Antes que você diga que foi Cristo que fundou o cristianismo deixe-me lembrar que Jesus não veio fundar uma religião, o mundo já estava cheio delas. Ele veio “buscar e salvar o que estava perdido” (lucas 19:10).

Precisamos aprender a distinguir entre cristianismo como religião e o cristianismo como caráter de Cristo em nós.

Os cristão que pregaram para Gandhi não tinham o caráter de cristo, eram apenas cristãos religiosos mas não eram influenciados por cristo. Por isso Gandhi disse: “Amo o cristianismo, mas odeio os cristãos, pois não vivem segundo os ensinamentos de Cristo” e “Eu seria cristão, sem dúvida, se os cristãos o fossem vinte e quatro horas por dia”.
Ele acabou então preferindo o hinduísmo que cultua cerca de 33 milhões de divindades, inclusive animais.
Este é um triste resultado que o cristianismo como religião pode promover.

O cristianismo religioso cria divisões, cria lugares santos e lugares profanos, cria músicas sacras e musicas não-sacras, homens de Deus e homens do diabo. Assim como qualquer outra religião ele divide as coisas e as pessoas em classes e as rotula de santos ou profanos colocando passos e atitudes quase matemáticas para pertencer ou não a ela.

Ele faz das quatro paredes de um templo o seu lugar santo e de um palco o seu altar.

Ele cria dias sagrados, ritos sagrados, crendices e faz de seus líderes pessoas infalíveis. Há uma luta para se destacar entre as outras “concorrentes” e acham que o trabalho que se faz dentro do templo é reflexo da devoção por seu Deus. Quanto mais trabalho e mais envolvimento com as quatro paredes mais fiel você será. Um sobremodo esforço para encher seus templos com mais e mais cristãos como se isso fosse passaporte garantido para o paraíso. Fico pensando nos 372 anos iniciais da igreja onde nunca havia sido levantado um só templo em nome de Deus e o evangelho era mais forte do que nunca. Será que por não haver templos não havia salvação? Absolutamente.

O cristianismo faz você se sentir bem se estiver envolvido com o templo e com a religião mesmo que não tenha um relacionamento com Jesus o Cristo.

Sei que você vai querer defender o cristianismo e já deve estar com dúvidas se sou realmente um cristão, mas deixe-me perguntar: Qual é o seu cristianismo? Sim, porque há diversos tipos de cristianismo e com valores totalmente diferentes. Existe o cristianismo protestante, o cristianismo batista, metodista, apostólico, assembleiano, testemunha de Jeová, cristianismo católico, espírita, existe até um tipo chamado de ciência cristã. Quantas vertentes, quanta confusão! Um ateu colocaria nossa cabeça em parafusos fazendo esse tipo de objeção.

Alguns cristãos mais esclarecidos dizem - com razão - que a religião não salva ninguém, mas continuam agindo e sendo influenciados por valores religiosos impostos por seus líderes: Não faça isso, faça aquilo, pague o dízimo, grite,cante,pule, oferte, unja,determine,pense positivo, use saias, não use calças, use terno, não use bermuda, vá ao monte, não vá à praia, vá ao templo, não vá a festas, escute música gospel, não escute música secular, não leia livros não cristãos, tenha comunhão com os irmãos, não tenha amizade com ímpios, etc., etc., etc. Isso são os pré requisitos da religião, mas, como sabemos a religião não salva ninguém!

Leia alguns versículos esclarecedores do capítulo 2 do livro de Colossenses:
8  Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo;
16  Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados,
18  Ninguém vos domine a seu bel-prazer com pretexto de humildade e culto dos anjos, envolvendo-se em coisas que não viu; estando debalde inchado na sua carnal compreensão,
20  Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como:
21  Não toques, não proves, não manuseies?
22  As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens;
23  As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne.

Não quero desestimular ninguém a  dizer que é cristão, porque eu também o sou, apenas quero lembrá-los que ser cristão é mais do que ir a igreja, escutar música gospel ou até mesmo crer que Jesus existe, mas sim,  ser influenciado por ele. Ter o caráter de Cristo.

Sola Gratia
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