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"...Enquanto ensinarmos que o mundo é um lugar a ser evitado, que as mazelas humanas são fruto da ausência de Deus, que Deus não ouve os pecadores, que só a igreja evangélica é que detém os "diretos autorais" da salvação, que ser forte e inabalável é sinônimo de fé e que ser pecador é ser inimigo de Deus então ainda não entendemos o plano da salvação e o evangelho de cristo rebaixado apenas á mais uma religião...."
"Sequencia de vídeos diários com a leitura do Novo Testamento"

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

A mensagem do Natal que nem todos perceberam


Por Rubem Alves
A mensagem do Natal que nem todos perceberam

O Verbo se fez carne. Deus se revelou na história.

1. Na encarnação, o tempo deixa de ser uma abstração e passa a ser uma dimensão de Deus.

O palco dos acontecimentos, a arena da história não é mais no céu, mas na terra. A vida acontece aqui e agora. Deus veio lutar pela vida entre nós. Ele não mais arbitra do alto, mas se empenha pela vida de dentro da história.

Na encarnação, o conceito de um Deus atemporal, distante de nós, que não experimenta passado, presente, futuro se esvazia. Na encarnação Deus quer experimentar o tempo.

Em Mateus 2.19 – precisa esperar que Herodes morra para voltar do Egito a Nazaré.
Em Mateus 4.2: Experimenta o desgaste de passar 40 dias e 40 noites sem comer.
Em Lucas 2.52: Aos doze anos, Ele ia crescendo em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e dos homens.
Em João 2.4: Ele diz a sua mãe: “A minha hora ainda não chegou”.

Deus no tempo é o Deus compassivo.
Deus no tempo é o Deus amigo.
Deus no tempo é o Deus sábio.

Deus no tempo só conhecemos a partir de Jesus

2. Na encarnação, os espaços perdem gradações, hierarquias – ele nasce numa manjedoura.

Qual seria o lugar mais sagrado? Onde repousava Deus? Em algum nicho? Em alguma sacristia? Em algum altar? Não, ele pode ser encontrado uma manjedoura.

Ele nascer numa manjedoura é metáfora para nascer em corações menos valorizados. Em vidas menos avaliadas.

Tanto que

Em Mateus 8. 7: Ele agora quer ir até a casa de um Centurião.
Em Lucas 10.38: Ele quer ir para casa de Marta e Maria.
Em Lucas 14: Ele vai comer na casa de um fariseu importante.
Em Lucas 19.1: Ele pede para se hospedar na casa de um rico publicano chamado Zaqueu.
Em João 12.2: Na casa de Lázaro, um jantar é preparado para ele.

Se ele nasceu em um lugar tão desprestigiado, com certeza nascerá também no coração da mulher que ninguém daria nada por ela ou do homem que ninguém quer bem.

3. Na encarnação, as aparições de Deus perderam o poder de intimidar. Deus é revelado como afirmador da nossa humanidade.

Nas narrativas do nascimento de Jesus, há pelo menos 4 “não tenha medo”:

Lucas 1.13: “Não tenha medo, Zacarias.
Mateus 1.20: José, não tenha medo de receber Maria
Lucas 1.30: Não tenha medo, Maria
Lucas 2.10: Não tenham medo, pastores.

Glória a Deus nas alturas e paz na terra a homens e mulheres que ele quer bem.

Deus visita a humanidade não porque está enraivecido, mas porque deseja despejar paz sobre homens e mulheres.

Fica claro que o Deus de cara austera não passava de uma construção religiosa, visando provocar submissão pelo medo.

Nele está o sorriso.
Dos lábios divinos vem afirmação: Paz na terra.

Agora podemos celebrar a vida. Deus é por nós.

No pontilhar do violeiro que
Nos poemas dos poetas
Nas confidências dos amigos
Nos gracejos dos humoristas
Nas conversas ao pé do fogo
Nas brincadeiras dos adolescentes
Na mesa posta para celebrar um belo jantar

Deus é a favor da vida.
Ele se alegra com nossa alegria
Ele festeja nossa felicidade.
Ele aposta em nossa leveza.
Ele faz de tudo para aliviar nossa culpa.
Ele não mede, não contabiliza, seus atos de bondade.
Ele não lança em rosto o bem que nos fez.

4. Na encarnação, a primeira revelação real que temos de Deus vem no rosto de um menino.

Não mais um rei, não mais um juiz, não mais um general, não mais um esposo – Ele quer que guardemos essa primeira imagem. Quero que fiquemos com o rosto de um menino na retina na construção da nossa percepção de Deus.

Isaías 9.6: Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e o governo está sobre os seus ombros. E ele será chamado Maravilhoso, Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz.

“E os contadores de estórias nos disseram que ele [Jesus] gostava de crianças. Não queria que elas ficassem adultas. E aos já crescidos avisava que não se deixassem de ser como eram jamais veriam o reino dos céus. Teriam de voltar a ser crianças. Nicodemos se atrapalhou. Era homem adulto, respeitável, levava as coisas a sério, ao pé da letra, e pensou que Jesus falava de obstetrícia. Ao que ele retrucou: “Não é obstetrícia, Nicodemos, é o vento. O vento sopra...” E ele deve ter ficado mais confuso ainda. As crianças veem coisas que os adultos não podem ver”.
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