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"...Enquanto ensinarmos que o mundo é um lugar a ser evitado, que as mazelas humanas são fruto da ausência de Deus, que Deus não ouve os pecadores, que só a igreja evangélica é que detém os "diretos autorais" da salvação, que ser forte e inabalável é sinônimo de fé e que ser pecador é ser inimigo de Deus então ainda não entendemos o plano da salvação e o evangelho de cristo rebaixado apenas á mais uma religião...."
"Sequencia de vídeos diários com a leitura do Novo Testamento"

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Rituais, Batismo e Ceia


Existe uma coisa presente em todas as religiões, não importa  se ela é africana, oriental, cristã, muçulmana ou animista. Não importa. Todas têm um coisa em comum: Rituais!
Todas possuem seus ritos sagrados: Há quem mergulhe num rio poluído para se limpar, há quem raspe a cabeça e tome banho de sangue, há quem suba dezenas de degraus de joelhos, há quem sacrifique animais para obter perdão, há até aqueles que enterram crianças vivas para aplacar a ira do seu deus.
Em meio a essa diversificação ritualística nós cristãos muitas vezes nos “orgulhamos” por não praticarmos esse tipo de coisa. Mas  na verdade não somos muito diferentes, apenas temos rituais diferentes: Desde atos proféticos complicados até ir ao culto dominical como sendo apenas parte do ritual semanal exigido para agradar nosso Deus. Poderíamos descrever diversos rituais “gospel” que não passam de feitiço evangélico, ou de simples costumes. Mas quero apenas falar sobre os verdadeiros e únicos rituais cristãos – Sim – porque nós cristãos temos rituais legítimos que devem ser seguidos e respeitados.
Mas não se preocupe, não é uma lista enorme de ritos necessários para sermos abençoados na verdade a lista é bem pequena. São apenas dois rituais que a bíblia diz que um cristão deve realizar:
1º Batismo
O batismo é um ritual. Iniciado por João Batista, cumprido por Jesus e pelos discípulos, recomendado por Cristo á todos que querem ser salvos:
Pelo que parece Jesus coloca o batismo como condição indispensável para ser salvo, mas não uma lei inquebrável e engessada já que o ladrão da cruz foi salvo sem  ter tido tempo de se batizar.
O batismo é um ritual que Jesus exige daqueles que querem viver uma vida seguindo a Deus mas o ritual não tem valor em si próprio, apenas quando expressa no exterior o que aconteceu no interior: Uma morte para velha vida e um renascimento na vida e no caráter de Cristo (Rm 6:03) . Ele é uma manifestação pública para mostrar de maneira visível algo que aconteceu no invisível.
Só tem valor se não estiver sendo feito apenas de forma ritualística como os Hindus fazem no rio Ganges.
Soube de uma história em que um pastor foi expulsar um demônio de uma pessoa mas não estava conseguindo. Após algum tempo gritando e ordenando, sem sucesso, ao demônio que saísse, perguntou ao espírito maligno: “Mas porque você não sai?” E ele com um sorriso sarcástico respondeu orgulhoso:  ”Porque sou batizado!”.
Algum pastor descuidado batizou uma pessoa sem antes se certificar de sua total libertação e acabou batizando uma pessoa que ainda era possessa por demônios e isso foi um pretexto para o demônio “dificultar” o trabalho do pastor.
Não sei se essa história é real, mas, é bem provável que já tenha acontecido em alguma igreja por ai.
Nesse caso o batismo do possesso não passou de um ritual sem importância. Por isso, respeito, mas não acho muito prudentes igrejas que têm um tanque batismal no púlpito e já batizam a pessoa logo após a conversão. Elas seguem o exemplo do etíope da bíblia que foi batizado logo após a conversão, mas no caso, foi o etíope que pediu, que buscou e  quis ser batizado (Atos 8:36). Ele próprio sentiu a necessidade e solicitou o batismo, não foi constrangido por Felipe a fazê-lo. O que acontece é que em algumas igrejas, logo após a conversão a pessoa é constrangida a se batizar e acaba cedendo pela emoção do momento sem mesmo entender direito o que é aquilo ou ter sido completamente liberta.


2º SANTA CEIA
A Santa Ceia é mais ritual legítimo da igreja de Cristo.
Jesus nos pede para realizar o ato todas as vezes em memória dele (1 Cor. 11:25). Não há uma periodicidade pré definida. Não diz que se é semanal, mensal ou anual apenas que deve ser feito em memória de Cristo. A maioria das igrejas fazem mensalmente por costume ou porque entendem que a árvore citada no apocalipse que dá o fruto de mês em mês é uma referência á ceia (Apc 22:2) .
Mas a bíblia não diz em quanto tempo isso deve acontecer, mas para quê ela deve acontecer:
  1. Trazer a memória o sacrifício imerecido que Cristo sofreu por nós;
  2. Trazer esperança de que um dia essa ceia nos será servida pelo próprio Cristo nos céus (Ap 19:17);
  3. Ter comunhão entre as pessoas sabendo que aquele sangue nos comprou e nos trouxe pra dentro da família divina e isso nos faz irmãos.
Também não é especificado quem tem direto participar. Há igrejas em que só os batizados podem participar, outras, qualquer cristão,  outras em que as crianças são permitidas participar, outras não; algumas deixam  dito nas entrelinhas que só os que estiverem com a vida “perfeita” com Deus devem participar, outras que a ceia não é somente para os corretos mas para aqueles que querem ficar corretos perante Deus.
O tipo do pão também varia de igreja para igreja. Desde pão ázimo (sem fermento), pão sírio, até pão de forma cortado redondinho pelo próprio recipiente do cálice. Por falar em cálice, mais de 90% das igrejas usam aqueles cálices bem pequenos, mas há aquelas que usam um único cálice grande que vai passando de boca em boca pela igreja inteira, algo totalmente anti-higiênico. Com suco de uva natural ou misturado com água ou ainda um suco de pozinho mesmo, o cálice é servido. Até hoje nunca vi nenhuma igreja que tivesse a coragem de dar vinho de verdade como era o da bíblia (melhor assim).

O significado é muito bonito: O pão simboliza o corpo de cristo que foi moído por nós e o cálice representa o sangue que foi derramado por nós. Não..não somos canibais como alguns dizem que os cristão são.Não estamos comendo o corpo e bebendo o sangue de Cristo, é apenas um simbolismo. Não cremos na transubstanciação  - como os católicos crêem -  que diz que após a oração o pão se transforma no corpo e o vinho no sangue de cristo. Cremos na representação apenas, chamada de consubstanciação.

Nos 2 casos, batismo e ceia, os rituais têm mais importância, e é mais útil para a própria pessoa do que para Deus.
São rituais que Deus nos pede para nossa própria edificação. O batismo  nos chama a tomarmos uma postura pública a respeito de como lidamos como o evangelho, a sair do anonimato e assumir que agora somos “crentes” mesmo, sem medo.
Já a ceia nos chama de tempos em tempos á nos esquecermos totalmente da correria do dia-a-dia, do trabalho, do dinheiro e até da família e nos lembrar do sacrifício de Jesus.  Além de retirar nossos olhos das coisas materiais e colocá-los no reino dos céus, na vida vindoura.

Esses são os rituais que Deus pede que sua igreja faça. As outras coisas são apenas costumes que não influenciam num relacionamento com Deus. Periodicidade de cultos, campanhas, atos para receber benção, copo d’agua na TV, unção de peças de roupas, documentos ou objetos, levantar a mão e “aceitar” a Jesus num culto, repetir isso, repetir aquilo, pegar a benção e guardar no peito, “pisar” na cabeça do inimigo, decretar a benção para pessoa do lado, passar entre a corrente de oração com os líderes ungidos da igreja, chofar, sal, rosa, areia de Israel, arca da aliança, castiçal, estrela de Davi, caixinha de promessa, sabonete ungido e outras centenas de invencionices não  passam de rituais que na melhor das hipóteses, não nos influenciam em nada, e na pior nos impedem de conhecer realmente a Deus.

Cuidado para não se tornar um Harry Potter gospel.

Sola Gratia

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